Os sobreviventes do terremoto em Porto Príncipe deverão ser levados para acampamentos distantes da capital haitiana, com o objetivo de evitar os danos de uma grande epidemia.
O ministro da Saúde do Haiti, Alex Larsen, disse que já foram encontrados “mais de 25 mil” mortos, a maior parte dos quais foi parar em valas comuns, onde são cobertos com cal virgem e depois com terra. Sob críticas por uma suposta intenção do governo de queimar os corpos, Larsen não descartou a possibilidade. “Ainda não tomamos a decisão”, disse.
“Em muitos casos vamos ter de proceder ao deslocamento da população, e planejamos construir acampamentos provisórios para receber as vítimas”, disse o ministro de Interior, Antoine Ben-Aimé, disse à agência EFE que no total seriam 100 mil os mortos, 70 mil deles em Porto Príncipe. Em outras cidades como Leogane (oeste) morreram entre 5 mil e 10 mil no meio da queda de 90% dos prédios, o mesmo nível de destruição de Carrefour, segundo Elizabeth Byrs, porta-voz do escritório humanitário da ONU (Ocha).
“No momento em que começarmos a derrubar as casas que foram danificadas, a atmosfera será irrespirável, porque aparecerão novos cadáveres”, disse Larsen. A isto se soma, segundo Ben-Aimé, que na capital haitiana circulam cerca de 600 mil pessoas que ficaram sem-teto por causa da “catástrofe histórica” e “a pior situação à qual a ONU deve enfrentar”, tal como asseverou hoje Elizabeth.
Sem água, sem comida e sem banho, muitos sobreviventes recorrem aos acampamentos improvisados desde terça-feira na capital do país mais pobre da América. Um deles fica na praça Saint Pierre, onde cerca de 10 mil haitianos estão acampados, afirmou representante de Defesa Civil, Benoit Frantz.
No local, há restos de excrementos e montes de lixo, cuja pestilência se mistura com os cadáveres em decomposição. Para evitar que os riscos de epidemias e doenças continuem crescendo, Ben-Aimé confirmou que seu país planeja evacuações maciças.
