China concorda com sanções ao Irã. Brasil isolado.

Foto AFP

O Irã acabou se tornando o principal tema dos encontros paralelos à abertura da Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington. E ontem mesmo, no primeiro dos dois dias de reunião, o anfitrião, o presidente Barack Obama, começou a colher resultados: a Casa Branca anunciou que EUA e China trabalharão juntos no estabelecimento de sanções para deter o programa nuclear iraniano, numa posição que deixam isolados Brasil e Turquia, que defendem as negociações até o último minuto.

BRASILEIROS QUEREM VENDER MAIS AO IRÃ, MAS ENFRENTAM DIFICULDADES.

Há dois anos, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esteve no Irã com um grupo de empresários. Agora é a vez de o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, desembarcar no país com 86 empresários. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito inúmeros apelos para evitar o isolamento do governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Os empresários brasileiros se queixam das dificuldades causadas pela falta de linhas de crédito disponíveis para fazer operações no Irã. Ao negociar uma mercadoria, os brasileiros necessitam de cartas de créditos confirmadas e irrevogáveis emitidas por bancos de primeira linha. Mas os bancos privados brasileiros não atuam no Irã. E, para confirmar por meio de bancos europeus, há uma série de dificuldades.

“Com isso tudo fica mais complicado. Na maioria dos casos as empresas negociam utilizando um terceiro país, que se disponha a colaborar com a operação”, afirmou Renato Franco, que atua no segmento automotivo. “Na prática esse tipo de operação encarece a mercadoria, o que, claro, não é bom.”

A chamada triangulação da operação, quando dois países necessitam de um terceiro para negociar, além de elevar os preços dos produtos, atrasa o envio e a recepção do produto, afirmam os empresários. Nesta viagem ao Irã, eles querem buscar uma saída para essa complexa operação.

Entre os produtos brasileiros, os iranianos se interessam principalmente pela carne bovina, frango inteiro com menos de 1 quilo, milho, açúcar de cana e farelo e óleo de soja. Porém tem aumentado também o interesse pelo etanol e construção civil.

No ano passado, exportações brasileiras para o Irã totalizaram US$ 1,2 bilhão. Comparando com 2008, quando as vendas externas foram da ordem de US$ 1,1 bilhão, houve aumento de 7,5% . As exportações para o mercado iraniano representaram 0,8% do total exportado pelo Brasil no período.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações cresceram 28,2% – passando de US$ 15 milhões para US$ 19 milhões –, respondendo por apenas 0,01% das compras globais brasileiras em 2009.

Os iranianos sofrem com uma elevada inflação, que no ano passado chegou a 18%, e com a falta de emprego formal, uma vez que a maioria dos trabalhadores está no mercado informal. Também há queixas sobre o programa interno de subsídios domésticos para alimentos e combustíveis. Para o cidadão comum, o nível de vida no país é considerado elevado.

Em meados de maio, daqui a pouco mais de um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai visitar o Irã. A viagem é antecedida pela visita dos empresários ao Oriente Médio, que também irão ao Egito e Líbano.

Os empresários, sob o comando do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, viajam no Boeing KC 707 da Força Aérea Brasília (FAB) que no passado era conhecido como “Sucatão”.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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