A prisão do editor do site Pura Política, João Andrade Neto, na tarde de ontem, está convulsionando os setores político, empresarial e jornalístico da Capital baiana.
Ele prestou depoimento ontem à noite na sede da Companhia de Operações Especiais (COE) sobre as acusações de que extorquiu empresários, após ter a prisão decretada na última terça-feira por crime de extorsão, durante a “Operação Fúria”. O empresário ficará preso por cinco dias, podendo ter a prisão preventiva prorrogada por mais cinco. Ele estava sendo investigado há dois meses, depois que seis empresários vítimas de extorsão prestaram queixa. Uma das vitimas ajudou a polícia a fazer um vídeo, em que um dos empresários supostamente chantageados entregava R$5 mil a um dos sócios do João Andrade.
Quando jornalistas ou supostos jornalistas desviam-se da função de informar e passam a conviver com o sub-mundo da política e das relações espúrias entre empresas e gestores públicos, o resultado não pode ser bom. O bom jornalismo é um sacerdócio e como tal deve ser exercido, com votos eternos de ética, responsabilidade social e, principalmente, respeito aos seus leitores. Esse é ao menos o propósito do juramento que todo jornalista faz ao receber o seu diploma. No entanto, a profissão é diariamente vilipendiada pelos maus profissionais e por aqueles que nem sempre tem credenciais para exercer a profissão. Apesar da renúncia do Supremo Tribunal Federal, na decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, acompanhada gentilmente por seus pares, ao diploma profissional, continuamos a acreditar que o exercício ilegal da profissão é o maior entrave à respeitabilidade da sagrada missão de informar. Urge a nova regulamentação da profissão, por parte do legislativo, sob a égide dos princípios democráticos.
