Depois de um longo e tenebroso verão, madame Almerinda, a pitonisa da rua Irecê nos liga para tecer seus perigosos comentários:
-Quer dizer que o nosso amigo goiano afirmou que baiano não gosta de trabalho? Mas ele está perdendo o senso? Quem vai votar nele nas próximas eleições?
-Nada supera a cara de pau, Madame.
A Senhora de todos os sortilégios volta a atacar, sem separar-se de sua bola de cristal:
– Ele gosta de pisar em todo mundo naquela “rádia” (sic) dele. Agora se machucou: em uma semana defendeu a doação de gasolina para políticos e cometeu essa barbaridade de ofender o povo que tanto gosta dele.
A vida é assim, Madame, respondo.
– E aqueles que ele expulsa dos terrenos lá do loteamento dele? Será que votam nele?
-Sei lá, Madame, talvez votem.
-Pois é: ele ainda tem que explicar como sumiram os 30 terrenos da Aracruz, dos quais os patrões dele nunca viram o dinheiro.
Desligo o telefone. Madame Almerinda sabe demais e ainda vai acabar me complicando. Ela já estava começando a falar em falta de decoro parlamentar e isso é coisa que só diz respeito à Câmara Municipal.
