Melhor muitos candidatos ou melhor poucos e bons candidatos?

A coligação liderada por ACM Neto em Salvador vai registrar apenas 64 candidatos a vereador, para 43 vagas em 2013. Em Santa Rita de Cássia, onde serão 11 as vagas na próxima legislatura, a coligação liderada por Romualdo Setúbal terá apenas 13 candidatos. E outra coligação terá apenas 3 candidatos.

Será que seria interessante ter muitos candidatos como está se anunciando em Barreiras e Luís Eduardo? Candidato que não tem chance de conseguir boa votação vai passar o dia todo no comitê, pedindo verbas de campanha e tentando obter vantagens. Também em política, menos pode ser mais.

Os líderes de coligações precisam pensar bem nisso enquanto fazem sua relação de candidatos para envio à Justiça Eleitoral.

Quantos votos são necessários?

Essa quantidade varia de acordo com o chamado quociente eleitoral de cada município. Esse número é obtido dividindo-se o número de votos válidos (excluídos os brancos e nulos), sejam eles nominais ou na legenda, pelo de lugares a serem preenchidos na Câmara Municipal. Por exemplo, em uma cidade há nove vagas para vereador, e concorrem a elas três partidos (A,B e C) e a coligação D. A legenda A obteve 1.900 votos, a B, 1.350, a C, 550, e a coligação D, 2.250. Os votos válidos na cidade somam 6.050. Dividindo-se os votos pelas vagas, obtêm-se um quociente eleitoral de 672. Assim, apenas as legendas A e B e a coligação D conseguiram votos suficientes para atingir o quociente eleitoral e terão direito a preencher as vagas disponíveis.

Quem são os eleitos?

Pelo quociente partidário, número obtido dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas. De acordo com o código eleitoral, “estarão eleitos tantos candidatos registrados por um partido ou coligação quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido”. Na cidade exemplificada acima, o partido A teria seus 1.900 votos divididos por 672, o que lhe renderia duas vagas na Câmara Municipal – embora a conta resulte em 2,8273809, a lei determina que seja descartada a fração. Ocupariam tais vagas os dois candidatos que tenham obtido as duas maiores votações nominais.

Luís Eduardo Magalhães terá colégio eleitoral de 32.676 eleitores. Pela média das últimas eleições, os votos válidos devem ser 26.140, talvez um pouquinho acima. Como serão 15 vagas na Câmara, o quociente eleitoral daria 1.742 votos. As coligações que atingirem esse volume de votos, terão direito a uma vaga. Se o dobro disso, duas vagas. E assim por diante.

No seio da coligação de Humberto Santa Cruz surgiu um movimento pelo chapão, que somaria os votos dos nove partidos e elegeria os mais votados. Mas essa vontade não é unânime e pode ser feita por coligações entre dois ou mais partidos. Ou pode acontecer de um partido não coligar com ninguém e sair sozinho nas eleições na tentativa de conseguir eleger um ou mais candidatos.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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