Ministro da Saúde censura campanha publicitária e manda demitir diretor

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“Enquanto eu for ministro, não acho que essa tem que ser uma mensagem passada pelo ministério. Nós teremos mensagens restritas à orientação sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Respeito as entidades e os movimentos que queiram passar essa mensagem, mas é papel deles. O papel do Ministério da Saúde é estimular a prevenção às DST’s”, disse o ministro da saúde, Alexandre Padilha nesta terça (04).

Eles se referia à campanha “Sem vergonha de usar camisinha”, que o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, havia lançado no fim de semana, pela visibilidade das profissionais do sexo, para diminuir o estigma da prostituição associada à infecção pelo HIV e aids e comemorar o Dia Internacional das Prostitutas, comemorado no dia 02 de junho.

Além disso, Padilha determinou a demissão do diretor do departamento responsável pela peça, Dirceu Greco, que chefiava o Departamento de DSTs, Aids e Hepatites Virais do ministério, justificando que o departamento veiculou a campanha sem a aprovação da Comunicação Social da pasta.

A campanha era voltada para a internet, mas nesta terça (04) foram retirados do site panfletos que traziam frases como “não aceitar as pessoas da forma como elas são é uma violência”; “eu sou feliz sendo prostituta” e “o sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs”. “Não existirá nenhum material assinado pelo Ministério da Saúde que não seja material restrito às orientações de como se prevenir das DST’s”, disse Padilha. Até o meio da tarde, ainda restava o vídeo em que mulheres dizem frases como “eu sou prostituta”, “ser prostituta é o que me define” e “eu sou puta, a minha presença te incomoda?”, mas ele foi retirado.

Segundo Padilha, o ministério recebeu sugestões de mensagens para a campanha de “entidades que representam as profissionais do sexo” e que todo o material passa por avaliação. “Não é a primeira vez que o ministério faz campanhas, ações e materiais específicos para grupos específicos que são mais vulneráveis às DST’s. Não tem remédio, então o Ministério da Saúde toda vez ouve organizações, ouve essas pessoas, para saber qual é a melhor forma de chegar essa mensagem”, disse Padilha.

O material foi feito em uma oficina de comunicação em saúde para profissionais do sexo em João Pessoa, na Paraíba e os panfletos e vídeos que sobraram devem circular na internet até o dia 2 de julho. A campanha também homenageia Rosarina Sampaio, fundadora da Federação Nacional de Trabalhadoras do Sexo, que morreu no último dia 25 de março.

Essa não é a primeira vez que Padilha recua de campanhas com potencial polêmico. No início de 2012, após descontentamento até da presidente Dilma Rousseff, Padilha recuou da campanha que seria lançada com foco nos jovens gays para a prevenção da Aids no Carnaval. Do portal Em Pauta.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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