
O mês de outubro é dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, o segundo tipo mais recorrente e agressivo no mundo, perdendo apenas para o de pele. Em apoio ao movimento mundial conhecido como Outubro Rosa, a Câmara Municipal de Barreiras reservou parte de sua sessão ordinária desta terça-feira (23) para comemorarem sua passagem.
Uma rica palestra que teve duração aproximada de uma hora, foi proferida pela mastologista, Drª Alba Dias, membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia e diretora do Instituto de Assistência a Mulher sediado em Barreiras. Em sua oratória, a médica apresentou aos assistentes, em sua maioria mulheres, a definição de câncer de mama, o seu tratamento e sua prevenção. “O câncer de mama se caracteriza pela proliferação anormal, de forma rápida e desordenada, das células do tecido mamário. A doença se desenvolve em decorrência de alterações genéticas. Porém, isso não significa que os tumores da mama são sempre hereditários. Em seu funcionamento normal, o corpo substituiu as células antigas por células novas e saudáveis. As mutações genéticas podem alterar a habilidade da célula de manter sua divisão e reprodução sob controle, produzindo células em excesso, formando o tumor que pode ser benigno (não perigoso para a saúde) ou maligno (tem o potencial de ser perigoso). Os benignos não são considerados cancerígenos: suas células têm aparência próxima do normal. Elas crescem lentamente e não invadem os tecidos vizinhos, nem se espalham para outras partes do corpo. Já os tumores malignos são cancerosos. Caso suas células não sejam controladas, podem crescer e invadir tecidos e órgãos vizinhos, eventualmente se espalhando para outras partes do corpo.
O câncer de mama consiste em um tumor maligno que se desenvolve a partir de células da mama. Geralmente, ele começa nas células do epitélio que reveste a camada mais interna do ducto mamário. Mais raramente, o câncer de mama pode começar em outros tecidos, tais como o adiposo e o fibroso da mama. As alterações nos genes podem ser herdadas (casos dos cânceres hereditários) ou adquiridas. O câncer de mama hereditário corresponde a cerca de 5% a 10% dos casos, ou seja, quando existem parentes de primeiro grau com a doença. Portanto, 90% dos casos de câncer de mama não têm origem hereditária.
As alterações genéticas, que são chamadas mutações, podem ser determinadas por vários fatores, entre eles: exposição a hormônios (estrogênios), irradiação na parede torácica para tratamento de linfomas, excesso de peso, ausência de atividade física, excesso de ingestão de gordura saturada e álcool”, expos a especialista.
Ainda em sua fala, a Drª Alba orientou sobre os métodos de tratamento. “Os tratamentos para o câncer de mama resumem-se em clínicos e cirúrgicos. Os cirúrgicos envolvem os tratamentos conservadores, aqueles que preservam a mama como as tumorectomias, quadrantectomias e os radicais – conhecidos como mastectomias. A maioria dos cânceres de mama podem “metastatizar” para a axila, portanto a avaliação axilar pode ser feita através do linfonodo axilar ou dissecção axilar quando a sentinela possui células neoplásicas. Hoje em dia, há uma modalidade conhecida como oncoplásticas, ou seja, tratamentos conservadores que usam técnicas de cirurgia plástica para o tratamento do câncer de mama. Com isso obtém-se um tratamento oncologicamente eficaz e permite-se um efeito estético satisfatório para a paciente, mesmo porque este tratamento permite igualar cirurgicamente a mama contralateral. Nos casos das mastectomias é importante salientar que todas as mulheres têm o direito da reconstrução mamária. O tratamento clínico envolve vários tipos de medicamentos chamados quimioterápicos e hormonioterápicos, cada qual com sua função e efeito colateral. Além disso, existe a radioterapia que deve ser empregada na sequência do tratamento cirúrgico, conservador ou em casos específicos de câncer avançado. De maneira geral é importante dizer que hoje, o tratamento é muito individualizado, portanto cada caso será estudado particularmente e receberá um tratamento específico. Portanto, não se assustem se alguém passar por um tratamento diferente do seu. Lembre-se: cada caso é um caso, disse.
Segundo ainda a Drª Alba Dias, a obesidade, a alimentação inadequada e a ociosidade física são fatores de risco e que podem facilitar o surgimento da doença. “Evitar a obesidade, através de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos, são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama, já que o excesso de peso aumenta o risco de desenvolver a doença. A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contra-indicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior aos 35 anos. Ainda não há certeza da associação do uso de pílulas anticoncepcionais com o aumento do risco para o câncer de mama. Podem estar mais predispostas a ter a doença mulheres que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez. A prevenção primária dessa neoplasia ainda não é totalmente possível devido à variação dos fatores de risco e as características genéticas que estão envolvidas na sua etiologia”, concluiu.

Do plenário, acompanhou a sessão, atentamente, uma das homenageadas do evento, Adnoan Marjori, conhecida popularmente por “Pingo”, contraiu a doença quando tinha 33 anos de idade e há cinco está curada da doença. Segundo Pingo, a suspeita da enfermidade, foi através do autoexame enquanto se encontrava em São Paulo. “Eu sempre realizava o autoexame, um certo dia notei certa alteração na mama, onde procurei ajuda médica. Fiz todo tratamento pelo sistema público em Hospitais de São Paulo, hoje me sinto bem, estou curada”, disse Adnoan.
Questionada se ela vinha realizando acompanhamento de sua saúde, ela respondeu: “quando recebi alta, os médicos me disseram que eu deveria fazer exames a cada seis meses, infelizmente aqui em Barreiras luto a um ano e meio sem conseguir a marcação de um exame de mamografia”, queixou-se.
História do “Outubro Rosa”
A iniciativa do Outubro Rosa começou na Califórnia – Estados Unidos, em 1997 e espalhou-se pelo mundo. De lá pra cá, o laço rosa tornou-se o símbolo da luta contra o câncer de mama. No Brasil, o movimento começou em São Paulo, quando o Obelisco do Ibirapuera foi iluminado de rosa. A campanha Outubro Rosa em Salvador chegou à capital baiana em 2009 por iniciativa do Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer – NASPEC. Em Salvador, monumentos e prédios históricos também ganham iluminação especial na cor rosa no mês de outubro, como o Elevador Lacerda, Quartel dos Aflitos e Farol da Barra.
Alguns dados
O câncer de mama ainda é o tipo da doença que mais mata as mulheres entre 35-54 anos em todo o mundo. A cada 10 mulheres diagnosticadas com esse tipo de câncer no Brasil, três morrem por conta da doença, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, órgão ligado ao Ministério de Saúde. Os homens também podem desenvolver a doença, no entanto, a incidência é baixa e atinge menos de 1% dos casos.
As campanhas divulgam informações sobre a doença e, especialmente a importância de detectá-la em estágio inicial, quando as chances de cura chegam a 100%.
Em Barreiras, o único mamógrafo está quebrado e os exames atualmente são realizados por empresa terceirizada e somente um médico especialista contratado pela gestão municipal.
Ainda na sessão, foram votadas e aprovadas duas moções de aplauso e congratulação ao “Outubro Rosa”, sendo uma coletiva e outra de iniciativa da vereadora Marileide Carvalho.
