O Fantástico deste domingo mostrou o resultado de um estudo inédito para entender o que há de errado na saúde brasileira. Pela primeira vez, o Tribunal de Contas da União examinou a qualidade do atendimento em 116 hospitais públicos, os mais procurados pela população em todo o país. O resultado é assustador. A coleção de casos de horror que acontecem na saúde pública brasileira ainda vai passar para a história como uma página tão negra como aquela da escravidão no Brasil. Numa analogia simplista, a senzala permanece viva nos corredores dos hospitais públicos do Brasil. Uns poucos, na Casa Grande, gozam de todos os benefícios de uma medicina avançada. A maioria das vezes com dinheiro mal havido. É caso de polícia, de justiça, de intervenção direta do Ministério Público e de outras instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil.
Em um país que recolhe, arbitrariamente, de seus cidadãos mais de 40% de sua renda, o caso só pode ser enfrentado por um levante das massas, que corrija as profundas distorções da máquina viciada e inútil da saúde pública.


