Os trabalhos de dragagem em 21 passos críticos do canal da hidrovia do São Francisco entre Ibotirama e Pilão Arcado, Médio São Francisco baiano, já começaram. A previsão é que, ao final de 90 dias, com sua conclusão, esteja restabelecido o calado de navegação numa extensão de 320 km, permitindo sobretudo a passagem do comboio – composto de empurradores, dique flutuante e barcaças – que transporta grãos, em especial caroço de algodão, provenientes do Oeste baiano.
A ação é fruto de uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o DNIT, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, e visa à melhoria da navegabilidade no canal. Os passos ou pontos críticos para a navegação foram identificados pelo DNIT por meio da Administração Hidroviária do São Francisco (Ahsfra). O investimento é de aproximadamente R$ 7,2 milhões.
O trecho de 320 km onde os 21 pontos críticos estão sendo dragados perpassa os municípios de Ibotirama, Muquém do São Francisco, Morpará, Barra, Xique-Xique e Pilão Arcado. “É um trabalho rigoroso, os órgãos ambientais exigem que o façamos com todo o cuidado, porque influencia diretamente em vidas aquáticas e dos nossos ribeirinhos”, disse o presidente da Codevasf, Elmo Vaz, que acompanhou pessoalmente o início dos trabalhos em Ibotirama.
Ele explicou que, além do investimento na dragagem propriamente dita, também estão sendo investidos outros R$ 1,5 milhão no controle ambiental da dragagem e na batimetria – que é a quantificação do material a ser dragado.
O procedimento de dragagem consiste na retirada de sedimentos (areia ou cascalho) do fundo do rio nos trechos críticos à navegação, aumentando o calado (profundidade) para que as embarcações não encalhem. Com esse serviço, os trechos serão desobstruídos, o que facilitará o escoamento das safras agrícolas provenientes do Oeste baiano, principalmente soja e algodão.
Realidade atual
A viagem de Ibotirama (BA) a Petrolina (PE), antes feita em menos de uma semana, agora leva até 20 dias. Para passar pelo lago de Sobradinho, na Bahia, é preciso esperar a liberação da água da barragem de modo que as embarcações “surfem” numa onda artificial. Atualmente o reservatório está apenas com 32% de sua capacidade. Em geral, empresas faziam 30 viagens por safra no Velho Chico. Na última, foram dez.
“A gente está vivendo um momento crítico. Como você tem grande assoreamento e pouco investimento [na hidrovia], quando vem a seca, a situação fica muito crítica. O que falta é interesse do Estado em sair desse modal rodoviário”, afirma Marcelo Teixeira, diretor da Icofort. Segundo Teixeira, a empresa, que opera na hidrovia desde 2007, avalia deixar o rio, caso o governo federal não o recupere.
