Rio São Francisco: hidrelétricas deixarão de gerar energia para regular vazão do rio

Sobradinho em tempos de cheia: a plena carga nas turbinas e ainda deixando verter água.

Uma audiência pública da Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas, nesta quarta-feira, deixou bastante claro, conforme vários depoimentos, que o sistema de barragens sobre o rio São Francisco deixará de ter como prioridade a geração de energia elétrica para se transformar em regulador da vazão do rio.

No ano passado, Sobradinho, que tem capacidade para 11.000 negawatts ainda gerava energia com 1.300 m³/segundo. Hoje essa vazão se encontra reduzida para 550 m³/s.

Afirmou um técnico: hoje é melhor ligar uma usina térmica do que deixar faltar água para milhares de pessoas que vivem rio abaixo. Estamos controlando que a vazão mínima seja o suficiente para chegar ao seu destino sem despejar muita água no mar.

Também fez parte dos depoimentos a afirmação de que as áreas irrigadas de 70 mil hectares em Petrolina (PE) e 40.000 hectares são mais importantes, nos aspectos econômicos e social, do que a geração de energia.

Outro fator importante: a transposição do Rio para o sertão já se encontra com a adutora à descoberto em Cabrobó. A regulação da vazão também precisa prever a manutenção dessa tomada de água.

Outra hipótese que está afastada é a transposição do Tocantins para o São Francisco, com um pré-projeto de envio de 60 m³/s, portanto uma quantia ínfima em relação à vazão do rio, tanto na seca como nas águas.

A leitura nesta segunda-feira passada do reservatório de Sobradinho, que já foi o maior lago artificial do mundo, indicava apenas 7,38% de sua capacidade, portanto a 3,8 pontos percentuais da condição de volume morto.

Assim, pode se esperar que nas próximas chuvas não sejam aumentadas as vazões das barragens do São Francisco, desde Três Marias até Xingó. As barragens reterão água, esperando pela próxima seca, para manter a vida econômica ao longo do rio.

Também nos afluentes poderão surgir novos barramentos para acumular água durante a estação chuvosa, sem necessariamente instalar geradores hidrelétricos.

Participaram da audiência pública, além do 22 senadores e deputados, Fernando José Carvalho de França, assistente da Diretoria Geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); Antônio Avelino Rocha de Neiva, Presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf); Amauri José Bezerra da Silva, Presidente do Conselho de Administração do Distrito de Irrigação Nilo Coelho (DINC); João Henrique de Araujo Franklin Neto, Diretor de Operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e Vicente Andreu Guillo, Diretor-Presidente da Agência Nacional de Águas (ANA)

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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