A batalha judicial pela libertação de Lula e a quebra de paradigmas institucionais na Justiça

Curitiba- Movimentação de jornalistas na sede da Policia Federal. Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

Após diversas decisões divergentes ao longo do dia, o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, manteve a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão foi tomada após recurso do Ministério Público Federal contra o habeas corpus concedido, na manhã deste domingo, dia 8, ao ex-presidente pelo desembargador plantonista Rogério Favreto.

Os partidários do ex-presidente protestaram em uníssono nas redes sociais. E Favreto foi atacado pela extrema direita, inclusive com a publicação de fotos pessoais de sua família, divulgação de seu telefone particular e ataques verbais de toda ordem.

Os acontecimentos de ontem demonstram apenas a fragilidade das instituições judiciais e o seu aparelhamento político, o que pode ser considerado uma das grandes tragédias da democracia neste início de século 21.

O juiz Sérgio Moro sentenciou, mesmo em férias em Portugal, pela permanência de Lula na prisão, numa clara afronta aos juízes substitutos.

O deputado federal Nelson Pelegrino (PT) avaliou que a guerra de decisões sobre a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou que houve “jogo combinado” para o petista ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Foi uma revelação, para mim. Mostrou que desde o impeachment de Dilma se estabeleceu um cenário de absoluta insegurança jurídica. Isso está prejudicando tudo, inclusive investimentos interno e externo. O Supremo tem culpa nisso, porque não corrigiu. Os tribunais também não. E cada um faz o que quer, interpreta como quer”, afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole.

No twitter as declarações de uma internauta demonstram a batalha que se seguiu à libertação de Lula:

“Judiciário partidário virando campo de briga de egos. General das Forças Armadas incitando a violência contra um desembargador. Terra de ninguém. Terra sem lei. Impossível ter orgulho de ser brasileiro.”

Outro internauta fez referência a parcialidade da imprensa:

“A imprensa horrenda, venal, mentirosa e covarde, agora fica tentando desqualificar o desembargador que emitiu o HC, associando-o ao PT. Por que não fazem o mesmo com o juiz protetor de tucanos, aquele que você tirando fotos ao lado de bandidos?”

O senador Roberto Requião classificou os fatos como “esbórnia jurídica”:

A discordância com o habeas do juiz Favreto deveria seguir processo legal e não ser objeto de guerrilha judicial contra Lula.”

O governador do Piauí, Flávio Dino, assim se referiu à confusão de ontem:

“Não há várias decisões judiciais válidas sobre o ex-presidente Lula. Para uma decisão ser válida, deve ser proferida por juiz competente. Nestas condições só há uma decisão: a do desembargador previamente designado para o Plantão judicial. Certa ou errada, esta deve ser cumprida.”

A senadora Gleisi Hoffmann foi incisiva nas redes sociais:

“PF estamos esperando! Cadê a liberdade de Lula?! Qual é a desculpa da demora? Erro de sistema sobre a transmissão da decisão? Últimos procedimentos? Estão esperando o que? Vcs são complacentes com a destruição do processo legal, do Estado Democrático de Direito!”

O senador Lindenbergh Farias também protestou:

“A decisão de Thompson Flores endurece o golpe e implica em mais fechamento democrático, mais arbítrio, mais ilegalidade. Ao mesmo tempo, deixa mais explícito que a direita não tolera a ideia de ver Lula solto, não tolera que ele possa disputar as eleições.”

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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