O brasileiro fundador da Empiricus é preso e pode pegar mais de 60 anos de cadeia

“O Lobo de Wall Street”, a ficção e a realidade juntas.

De Martha Sfredo, em GaúchaZH

É possível que, dentro de pouco tempo, a história do brasileiro Marcos Eduardo Elias, fundador da consultoria de investimentos Empiricus, torne-se base de um roteiro da clássica história de um gênio das finanças que se perdeu entre a ganância e o oportunismo. 
A empresa vinha dando sinais de problema.

Na semana passada, Elias foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos sob a acusação de desviar cerca de US$ 750 mil de clientes de contas bancárias de brasileiros em Nova York.

Clientes potenciais consultavam sobre propostas recebidas da Empiricus que mostravam clara montagem das famosas pirâmides financeiras ou esquemas Ponzi. Foi enquadrado no crime de conspiração para cometer fraude, com pena máxima de 30 anos de prisão, fraude em transferência bancária, outros 30 anos, receptação de produto de furto, mais 10 anos. Segue roteiro comum a outros personagens com perfil semelhante.

Bastava acompanhar seus anúncios, no tumultuado período pré-impeachment, em 2016. Clamavam que que o dólar chegaria a R$ 10 – a máxima foi de R$ 4,2631 –, prometendo o investimento perfeito para encarar a turbulência. Projetavam chegada da bolsa a 100 mil pontos – não passou de 88 mil – e 10 anos de recessão no Brasil – até agora, foram dois. 
Era o chamado “marketing agressivo”. Se não temia contrariar uma das verdades mais repetidas por economistas e gestores sérios – prever a cotação do dólar é missão impossível no médio prazo para qualquer especialista –,  era um profissional com baixa aderência a códigos de conduta. 

O mais conhecido é Michael Milken, considerado o criador do mercado de junkbonds – títulos de alto risco e grande rendimento – entre os anos de 1970 e 1980. Virou bilionário antes de ser acusado de extorsão e fraude e se tornou ainda mais famoso por servir de base para o personagem de Michael Douglas no filme Wall Street.

No ano passado, quem esteve no Brasil para uma série de palestras com ingressos caros foi Jordan Belfort, cuja história rendeu o roteiro de O Lobo de Wall Street. Quem conhece a história diz que 90% do filme é bastante fiel aos fatos.  Belfort foi acusado de lavagem de dinheiro e fraude com ações e cumpriu pena de quatro anos de prisão antes de se tornar palestrante “motivacional”.

 

Avatar de Desconhecido

Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

Deixe um comentário