O jornalismo resiste

Patrícia

A reportagem de Patrícia Campos Melo na Folha de hoje traz revelações importantes para compreender a campanha eleitoral deste ano. De acordo com a investigação, a inundação de fake news transmitida pelo Whatsapp – aplicativo utilizado por 44% dos brasileiros para acessar notícias e informações políticas, conforme o Datafolha – teve patrocínio graúdo. Foram empresários pró-Bolsonaro que pagaram os disparos em massa contra o PT, através de contratos de 12 milhões de reais celebrados com os que burlam a lei.

A prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas vedada pela legislação eleitoral, e não declarada”, destaca a reportagem (veja o link nas recomendações abaixo). Pode ser mais do que isso: de acordo com o Valor Econômico, o PT estuda medidas judiciais para apurar crimes de organização criminosa, caixa 2, calúnia e difamação.

Para a democracia o prejuízo é maior. Todos nós assistimos estarrecidos a onda de mentiras que arrasa qualquer possibilidade de debate, pilar da democracia, nessa campanha. Não existem argumentos contra armas emocionais como o kit gay – falsidade compartilhada por milhares de pessoas como mostrou a reportagem da Pública dessa semana – ou a lamentável mamadeira erótica.

O dano da desinformação ao debate eleitoral provocou outro fato relevante nessa semana. Os professores Pablo Ortellado, da USP, Fabrício Benevenuto, da UFMG, e a jornalista Cristina Tardáguila, da agência de checagem Lupa, escreveram um artigo no New York Times pedindo ao Whatsapp “medidas capazes de reduzir a intoxicação da vida política brasileira”. Basicamente, a restrição de encaminhamentos, de transmissões e de número de usuários em grupos do aplicativo. Essas medidas dificultariam a estratégia das empresas que fazem os disparos em massa, mais voltados para difamar os opositores do que para fazer propaganda propriamente dita.

Provavelmente os efeitos dessas revelações, medidas e ações judiciais não conseguirão desfazer o estrago já realizado. Mas podem ser suficientes para que as instituições – incluindo a imprensa – acordem a tempo de salvar a democracia, denunciando e criminalizando os responsáveis por minar a cidadania, a informação e os direitos constitucionais.

Normalizar a mentira, o discurso pró-tortura, a ditadura, a homofobia, o racismo, e o machismo é mais grave – e duradouro – do que qualquer resultado eleitoral.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

4 comentários em “O jornalismo resiste”

  1. Mas parece que o tiro saiu pela culatra, o folha petista tentou incriminar Bolsonaro, mas acho que o feitiço virou contra o feiticeiro pois os mesmos não apresentou nenhuma prova. e já estão sendo processado por falsa acusação.
    O desespero do PT e do jornal Folha de São Paulo é tão grande que estão inventando mentiras. Aceitar que dói menos, o capitão vai ser o futuro presidente do Brasil e tramóia nenhuma que os ptralhas e esse jornaleco fizer vai mudar o senário eleitoral, pois os eleitores já se decidiram e não quer mais o PT para assaltar o país.
    #ptnuncamais

  2. Kkkk. Parece que a enxurrada de fake News fritou o pouco que havia de neurônios nos bolsominions. .

  3. Se até a empresa WhatsApp já se pronunciou que fechou as constas que foram utilizadas pelo nazi para espalhar o terror das mentiras, é porque a coisa está feia para o lado do infame. é bom o nazi Ja Ir se preparando a asa para levar chumbo

  4. Essa mulher sem provas vai ter que ser punida severamente e exemplarmente e o jornal também, como ela é petista declarada, acho que tá ganhando um por fora bem alto.

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