Notícias natalinas que a Grande Imprensa não repercutiu.

Censura e terror de volta

O filme do Porta dos Fundos, veiculado no Netflix, em que Jesus é representado como gay gerou muita polêmica e acabou num atentado a bomba na produtora do grupo de humoristas. Os mais velhos, como este Editor, já viram isso: as explosões de bancas de jornais que revendiam jornais como o Pasquim, Movimento, Opinião e outros. Até o Estadão, apoiador da conspiração de 1964, acabou censurado, publicando receitas e trechos do poema Lusíadas em substituição às matérias cortadas pela Censura Federal.

Queda e humor

As piadas criadas com o acidente de Jair Messias são muitas. No entanto, poucos fizeram referencia ao fato de que o Presidente perdeu a memória pelo menos durante duas horas. Seria muito engraçado se ao voltar a memória, Bolsonaro voltasse com um pensamento progressista, de esquerda e começasse sua ação demitindo os radicais fundamentalistas, os devotos de Olavo de Carvalho, os terraplanistas e os representantes do Sr. Mercado, aqueles que defendem privatizar as empresas estratégicas do Governo. A pergunta é a seguinte: quanto tempo o Presidente duraria no poder.

O Agronegócio e o lado B

Todos se questionam, ao menos os mais esclarecidos, como o Agronegócio vai encarar o Agronegócio B, aquele da face escura da Lua. Produzir com eficiência, gerar empregos e riquezas, segurar a balança comercial com a exportação e a procura de soluções ambientais nem de longe conversa com aquele agronegócio que ocupa terras públicas, desmata, queima, grila terras, afasta indígenas e posseiros.

Os ruralistas da ala produtiva precisam, com urgência, condenar publicamente, através de uma campanha institucional, os criminosos da face escura. Para não perder mercados externos e não turbar a imagem interna.

Aliás, o recente episódio da grilagem de terras no Oeste baiano mostrou os dois grupos antípodas em luta por decisões na Justiça.

Em 2020, o Gabinete do Ódio murcha.

Com as recentes denúncias sobre a vida pregressa do senador Flávio Bolsonaro, o Gabinete do Ódio pode sofrer represálias, lideradas pelo ex-ministro general Santos Cruz e pelo sustentadores do regime, o pessoal do Forte Apache, o Comando do Exército. A revolta de cabos e soldados (e das PMs) com as decisões da Presidência sobre salários e previdência pode contribuir.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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