Cadê aquele caminhão de dólares que estava aqui? Sumiu? Pergunta lá no posto Ipiranga.

Saída de dólares do país soma US$ 44,7 bilhões em 2019, a maior em 38 anos. Leia a matéria de Alexandro Martello, no G1, sobre a retirada recorde de dólares na economia, um sinal que nem todos os investidores estão otimistas como o Paulo Jegues.

Já que a exportação de veículos caiu com a crise na nossa parceira Argentina, commodities como o minério de ferro e a soja estão com preços aviltados e os fundos abutres estão se retirando, quem vai nos ajudar?

Trata-se da maior fuga de capitais em quase quatro décadas. Até então, a maior saída havia sido registrada em 1999, quando US$ 16,18 bilhões deixaram a economia brasileira, na crise depressiva do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. O novo recorde supera em quase três vezes aquele momento.

Ah! Mas a Bolsa está subindo, as relações trabalhistas estão desregulamentadas, a inflação é a menor em XX anos, o juro é o menor em YY anos, o deficit da previdência será saneado e vem aí a reforma tributária.

Investidores retiraram US$ 62,244 bilhões da economia brasileira em 2019 por meio de transações financeiras. Somente da bolsa de valores, os investidores estrangeiros retiraram R$ 44,5 bilhões em 2019 – o maior volume de toda a série histórica divulgada pela B3, iniciada em 2004, diz o jornalista.

Diz um especialista na matéria:

“Grande parte ou quase a totalidade dos investidores estrangeiros já se retirou do país e agora estamos esperando o retorno, não mais como capital especulativo.”

“Guernica”, de Pablo Picasso. O retrato da tragédia.

Com a economia fragilizada pela informalidade e o desemprego, o crescente atraso tecnológico, a instabilidade política criada pelos sucessivos confrontos políticos propostos pelo Governo, uma diplomacia rasteira e atrelada aos estertores políticos de Trump e, fatos surreais, como um ministro da Educação analfabeto e uma ministra dos Direitos Humanos medieval e mitômana, temos o quadro da tragédia social colocado na parede, sem moldura.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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