Um artigo que confirma: “Por que o Ministério da Saúde está falsificando dados sobre o número de mortos pela Covid-19?”

Os genocidas

O Governo armou uma mega-operação para falsear dados e minimizar a crise sanitária.

Por Marcos Cesar Danhoni Neves*, na Revista Fórum.

“É verdade que centenas, mais, milhares de famílias fugiram desta peste, mas muitas fugiram tarde demais e, então, não apenas morreram durante a fuga como levaram consigo a doença (…) por onde andaram, contaminando aqueles a quem procuravam por segurança. Isso confundiu muito as coisas, causando a propagação da doença através do que seria o melhor meio de evita-la”
(“Um Diário do Ano da Peste”, Daniel Defoe)

Desde o primeiro óbito no Brasil pela COVID-19 venho coletando dados tanto do contágio quanto do número de mortes, comparando primeiro com os países onde a pandemia mais matou: Itália, Espanha, França, Inglaterra.

Como estamos no início da pandemia que chegou com atraso ao hemisfério sul, resolvi fazer a comparação com países do hemisfério norte que apresentavam número de contágio ou de taxas de óbitos diários semelhantes aos nossos. Outro critério para minha seleção foi o descaso de certos governos com as consequências da pandemia, ou a adoção da tese absurda da “imunização por rebanho”, onde se despreza o isolamento social, esperando que todos se infectem, gerando imunidade. A Inglaterra, a Holanda e a Suécia pagaram um preço demasiadamente elevado por isso.

O gráfico abaixo mostra a curva mortal para cinco países: Bélgica, Suécia, Irã, Holanda e Brasil, analisando 33 dias desde o primeiro óbito em cada um destes países. Em relação ao nosso país, construí duas curvas, denominadas: BRASIL I e BRASIL II. O primeiro trata do número oficial; o segundo considera uma subnotificação média de 48% a mais, como relatado num semanário baseado em pesquisas estatísticas (levando em consideração o exagerado número de mortes por falência respiratória, além da média conhecida).

Ao final da tarde do nosso 33º dia, recolhi o dado brasileiro: 383 mortes em 24 horas! Comparei com os dados dos demais 4 países a partir dos sites www.covidvisuaizer.com e www.covid19graph.work . Acresci os 48% de subnotificações aos dados da ramificação BRASIL II (ver gráfico).

A partir do vigésimo dia e pelo número de mortes registrados no país, pela progressão geométrica registrada passei a tentar prever os números futuros (sob um isolamento social que vai se esfacelando rapidamente, graças aos desvarios fascistas de Bolsonaro).

Fiz algumas contas e tentei uma equação exponencial e havia chegado aos seguintes números: 30º dia = 1.900 mortos (deu 1.947); 31º dia = 2.200 (deu 2.171); 32º dia = 2.400 (deu 2.462); 33º dia = 2.800 mortos (havia dado 2.846, mas depois corrigido para 2587).

O gráfico acima foi fechado no final da tarde do dia 20/04/2020, poucas horas antes da “correção” do Ministério da Saúde.

Claramente, este é um ponto fora da curva, literalmente falando, posto que é falsificado!

A saída de Mandetta, um político conservador, que aniquilou o Mais Médicos, o Farmácia Popular e queria liquidar o SUS, agiu na tangência da civilização, seguindo as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), e evitando a falsificação dos dados (desconsiderando as subnotificações que se devem, grandemente, à ausência de um número apreciável de testes).

O novo Ministro, Teich, além de evitar contato público e declarações públicas aos jornalistas, está envolvido numa mega-operação de fantasiar dados, diminuindo o número de vítimas fatais da pandemia, para ajudar no discurso de Bolsonaro para o término do isolamento social.

Conseguirá o seu intento, mas de forma muito provisória, pois logo, logo o nosso número de mortos será semelhante àqueles europeus (Itália, Espanha, França, Inglaterra) e ao dos EUA.

O genocídio só está começando: quem morrer, não verá país (civilizado) algum! Aos vivos, restará a lúgubre frase-lamento: “O horror, o horror, o horror!”, de Joseph Conrad em “O Coração das Trevas”.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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