Operação Faroeste agora quer alcançar corruptores ativos na compra de sentenças

A Operação Faroeste se prepara para entrar em uma nova fase e alcançar empresários que negociavam sentenças com desembargadores presos e investigados. Para isso, de acordo com a revista Época, duas desembargadoras estão negociando delações premiadas, esmiuçando ligações explosivas com concessionários de serviços públicos, infraestrutura e transportes.

Segundo apurou o Bahia Notícias, as delações podem vir das desembargadoras Sandra Inês e Maria do Socorro, presas preventivamente durante o andamento da operação. A desembargadora Maria do Socorro tem na sua equipe de defesa o advogado especializado em delação Bruno Espinheira, que nega que irá trabalhar nesse sentido.

No curso da operação, os investigadores já haviam encontrado evidências de venda de sentenças para grandes empresários baianos, geralmente envolvendo questões fundiárias.

Desde então, diversas denúncias começaram a chegar na sede da PGR e da PF na Bahia, já a partir de dezembro de 2019.

O esquema de compra de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia é antigo. Conta um advogado que defendia um produtor rural, que hoje já não mora no Oeste baiano, que, ao conversar com um “intermediário”, na sede do TJ-BA, recebeu essa informação:

“O custo para guardar na gaveta, por um ano, essa ação é R$500 mil. E para dar, depois desse ano, uma decisão favorável ao seu cliente é de mais R$500 mil”. 

Isso aconteceu há mais de uma década e tratava-se da tentativa de recuperação, por parte de um banco, de máquinas financiadas que tinham sido vendidas pelo produtor.

Diga-se de passagem, o Banco já havia obtido liminar em primeira instância e a sentença foi reformada pelo Tribunal. Segundo se sabe até hoje as máquinas não voltaram ao domínio do Banco.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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