Rui Costa afirma que se abrir tudo, dobra o número de mortes na pandemia.

por Lucas Arraz / Ulisses Gama, do Bahia Notícias

O governador da Bahia, Rui Costa, se emocionou nesta quinta-feira (2) durante a cerimônia simbólica de hasteamento da bandeira da Bahia. A emoção veio por conta da pressão para a reabertura de estabelecimentos em meio à pandemia do novo coronavírus.

O gestor questionou o argumento dos empresários e projetou o dobro de mortes no estado em caso de uma reabertura sem obedecimento de critérios científicos.

“Há um limite aceitável para essas pessoas de número de mortes que podemos aceitar para abrir tudo de qualquer jeito, dizendo apenas que vão tomar cuidados. É aceitável 1.500 mortes por mês? É porque não tá aberto. Se abrir, vão ser 3.000 por mês? Vamos compartilhar essa decisão com a sociedade. Fica parecendo que aqui tem autoridades que decidem sozinhas. O que a sociedade baiana quer? Quer admitir 3.000 mortes por mês? Vai dobrar. Uma semana depois que a gente abrir, vai dobrar”, disse.

“Ninguém pode dizer que não sabia o que ia acontecer. Nós sabemos o que vai acontecer Espero que a gente possa refletir para tomar as decisões acertadas e que Deus nos abençoe”, declarou.

Desde o começo da pandemia, a Bahia já registrou 76.485 casos confirmados da doença, com 1.902 óbitos. No momento, são 50.924 já são considerados recuperados e 23.659 casos ativos.

ACM Neto

Na mesma oportunidade, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), voltou a afirmar que não cederá a pressões dos setores que querem a reabertura das atividades econômicas em meio à pandemia do novo coronavírus. Segundo o gestor, enquanto os indicadores não apontarem para um decréscimo no número de casos, óbitos e internações decorrentes da Covid-19, essa retomada ficará inviabilizada.

“Eu estou acostumado a lidar com pressão. Ontem eu disse, e quero repetir hoje: tenho 41 anos de vida, mas, de certa forma, já tenho 41 anos de política. Já passei por muitas situações. É claro que essa é a mais desafiadora, tenho certeza que também para o governador, somos aqui d de uma geração próxima”, declarou o prefeito na manhã desta quinta-feira (2), no bairro da Lapinha, onde participou de ato simbólico em celebração à Independência da Bahia.

De acordo com o prefeito, todas as decisões se darão com bases técnicas e pautadas no diálogo com os diversos segmentos da sociedade.

Como dizem comerciantes e “otoridades” constituídas de Luís Eduardo Magalhães, esse negócio de mortes é resultado de uma imprensa sensacionalista e politiqueira. Pelo que parece, nem o Prefeito de Salvador, nem o Governador do Estado, acreditam nisso.

Expandindo o número de casos de contaminação entre 5 e 10% ao dia, sem prejuízo da evidente sub-notificação, o contágio comunitário ampliado vai levar cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras aos caos sanitário. Centenas vão morrer ou ficar gravemente sequelados pelo Covid-19, mas os cofres públicos e dos comerciantes receberão um reforço extra.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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