Madame Almerinda aterrorizada, porque não consegue arrancar o adesivo do Ozzy.

Passa das duas da madrugada. Meu telefone celular, que estava com o som bem baixinho, toca com insistência. Um número desconhecido. Uma voz abafada e rouca me chama:

-Alô, estamos aqui. Escondidos…

-Eu sem entender nada. Mas quem está falando?

-Sou eu periodista, Almerinda.

-Está escondida de quê, Almerinda?

-Pois é: o Ozzy esteve aqui em casa, na rua Irecê, e acabou me convencendo, grudou um adesivo bem grande na minha porta. Eu falei pra ele que a bola de cristal tinha péssimas previsões. Ele não me ouviu. O pior é que o desgramado do adesivo não desgruda agora. Estou com medo.

-Medo de que, Madame?

-A festa deles estava acontecendo bem aqui pertinho. Mas às 10 horas tudo acabou.

-Não tenha medo, Madame. A gurizada só quer se divertir, festejar a vitória. Ninguém vai chutar a sua porta.

-Mesmo assim, tenho medo. Quando deu as seis da tarde, o Cavalo Véio, que estava aqui em casa – vc sabe, nós temos um cacho há anos – se mandou com os olhos estalados, que parecia uns bolitões. Desapareceu e não ligou mais.

-Se acalme, Madame.

-Pois é, soube que as caçambinhas do Biscoitinho foram jogadas no meio do mato. Ele  estava com medo que botassem fogo.

-Nada disso vai acontecer, Madame. O pessoal é tudo alegre e civilizado.

-E o meu mensalinho, caro Periodista. Como vai ficar?

-Bom, aí não posso garantir nada. Os mensalinhos acabaram na hora que abriram as primeiras urnas.

-Que medo, jornalista, muito medo!

Avatar de Desconhecido

Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

Deixe um comentário