
Da Coluna de Leonardo Sakamoto no UOL.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz mostram que 2020 registrou 258.209 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que inclui a covid-19. Isso representa 252.736 a mais que o previsto para o ano com base no que havia acontecido em 2018 (5.473) e 2019 (5.279). No mesmo período, o Ministério da Saúde registrava 186.649 óbitos por covid-19. Os números ainda não representam a totalização do ano, mas garantem um retrato aproximado.
A diferença entre o “excesso” de óbitos por SRAG e a quantidade de mortes decorrentes do coronavírus é de 66.087. De acordo com Diego Xavier, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz, “a maior parte desse número é potencialmente subnotificação de covid-19”.
Ele explica que os dados levantados pelo InfoGripe, da Fiocruz, atualizado em 22 de dezembro, serão cruzados com outras bases para entender o tamanho real dessa subnotificação. E que uma parte desse excesso é possivelmente causada por doenças que foram registradas como SRAG por terem características semelhantes.
Uma das hipóteses é que, no início da pandemia, profissionais de saúde ficaram mais sensíveis ao se depararem com determinados sintomas e preferiram adotar o diagnóstico de SRAG. Vale lembrar que, naquele momento, havia menos informação disponível sobre a doença. E a falta de testes e de equipes preparadas para analisar as coletas também dificultaram o diagnóstico.
