Negros, analfabetos, empregados sem registro são os párias da Pátria Amada, Brasil.

Mulheres esfuziantes, champagne e trajes elegantes, com nó duplo Windsor nas gravatas. Isso por acaso lembraria o Baile da Ilha Fiscal, um dia antes da queda da nobreza brasileira, ou as festas de Versailles, antes que a guilhotina devastasse os nobres de França?

Eu sei, meu caro amigo leitor, que você ficou emocionado com aquela festa de arromba que o Arthur Lira liderou depois de sua eleição para a presidência. Champagne, francesa é lógico; lindas mulheres com lindos vestidos e corpos malhados, com belos glúteos, e cabelos alinhados. Custou caro ao contribuinte, mas sei que você pagou com gosto.

E ficou também emocionado em saber que o Governo trata tão bem os membros das suas forças armadas e funcionários públicos, gastando R$1,8 bilhão de alimentos por ano. Eles precisam estar bem nutridos para defender a Pátria Amada, Brasil.

E também ficou ansioso e tocado pela generosidade do Presidente da República, que liberou mais de R$3 bilhões de emendas parlamentares para os deputados federais, que se transformarão em obras importantes nos municípios.

Com tanta emoção, até esquecemos que o Governo ainda não comprou as vacinas que precisamos para imunizar a população dessa terrível doença, que está dizimando mais de mil pessoas todos os dias.

E esquecemos também daqueles 21,8 milhões de pessoas que foram parar abaixo da linha da miséria depois que o Governo se declarou quebrado e interrompeu o Auxílio Emergencial.

Em 2018, 12,1 bilhões de brasileiros, depois do bloqueio parlamentar e do golpe ao Governo Dilma e a política recessiva de Temer estavam nessa condição. Nessa época,  1,4% da população tinha renda menor que R$ 1,90/dia. A proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza de R$ 5,50/dia era 12,1%.

É importante relatar a pesquisa do IBGE em 2018:

“Quando estratificamos a sociedade por área urbana e rural, conclui-se que apesar de a área rural ter apenas 14,7% da população, ela contribui com 34,6% de toda a pobreza estimada. Quando estratificamos por grandes regiões, fica claro que apesar de a Região Norte ter apenas 8,6% da população, ela contribui com 26,1% de toda a pobreza estimada”, diz a sondagem do IBGE. De acordo com a instituição, esse índice pode contribuir mais para a alocação de recursos no combate à pobreza.

Em termos de cor ou raça, observa-se que o subgrupo da população onde a pessoa de referência da família é preta ou parda contribuiu com 77,8% de toda a pobreza. A sondagem considerou como pessoa de referência o responsável por despesas de aluguel, prestação do imóvel, condomínio, imposto predial, serviços, taxa e outros gastos com habitação.

A análise por nível de instrução revela que os subgrupos da população onde a pessoa de referência da família tem ensino fundamental incompleto, ou é sem instrução, contribuem com 66,5% de toda a pobreza. Por ocupação, o que se obtém é que os subgrupos da população onde a pessoa de referência da família é empregado sem carteira, trabalha por conta própria ou não é ocupado contribuem, juntos, com 81,7% de toda a pobreza no país.

Portanto, é fácil concluir: homens do campo, negros ou pardos, analfabetos e residentes no Norte do País são os mais prejudicados. Mais de 80% que vivem de bico e de serviços temporários.

Mas isso nem é bom lembrar quando vemos a Corte tão iluminada, tão alegre, tão vitoriosa e tão bem alimentada.

 

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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