Requisição do SUS resulta em baixíssimos estoques de sedação para intubação em hospitais privados.

A desorganização na cadeia de suprimentos farmacêuticos e hospitalares certamente vai ser a cereja do bolo dessa grande tragédia que se abate sobre os brasileiros.

Ontem, o Sistema Único de Saúde requisitou, juntos aos hospitais privados, os estoques de medicamentos para intubação. Com isso, reduziu para 48 horas os estoques de anestesiantes usados para a intubação.

Com isso, tanto os médicos dos hospitais públicos como o dos privados terão que reduzir a sedação para um mínimo recomendável.

Assim, como em algumas cidades os pacientes estão morrendo por falta de oxigênio, agora morrerão pela impossibilidade de sedação para a intubação.

Mais cedo ou mais tarde a falta de previsibilidade das autoridades da Saúde será apurada. E a responsabilização desses gestores não resgatará a vida dos que se foram, mas nos dará a sensação de que não se pode cometer crimes de maneira continuada e ainda permanecer impunes.

Ficaria tão mais fácil se o governo tivesse adquirido em meados de 2020 as vacinas ofertadas ao País e evitado a tremenda pressão de demanda em cima dos hospitais. Por motivo de burrice e incompetência resolveu-se que era melhor negar a pandemia e tratar com medicamentos inócuos, como a cloroquina, que nem para a malária se usa mais.

O País hoje tem 1.203.024 casos ativos, com mais de 8.000 graves. E o sistema hospitalar saturou e colapsou diante de tal demanda.

Hoje um sub-procurador da República pediu que se retirasse do comando do Presidente negacionista a gestão da Saúde e da Economia. E que se entregasse ao Vice-Presidente os encargos. O que não se sabe se melhoraria a situação.

Promessas de compra de vacinas são repetidas todos os dias pelo Governo. Mas os imunizantes teimam em não vir para o braço dos pacientes.

Como um grande navio, que precisa planejar com bastante antecedência a sua desaceleração, a pandemia, mesmo com a chegada dos milhões de vacinas prometidos, não diminuiria sua pressão sobre o sistema hospitalar antes de dois ou três meses. Mas qualquer alento de estabilização seria importante dado o crescimento meteórico da contaminação e a agressividade das novas variantes do Sars-Cov-19.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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