Assessor de Bolsonaro faz gesto de supremacista durante audiência no Senado.

Editado pela Revista Fórum

O assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, pode perder o cargo por ter feito um gesto considerado supremacista nesta quarta-feira (24) durante sessão no Congresso. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), mandou instar um procedimento de investigação contra o assessor.

Pacheco já teria, inclusive, pedido ao Planalto a demissão de Martins, que será ouvido pela polícia do Senado.

Em momento que aparecia nas câmeras da TV Senado atrás do presidente da casa legislativa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Martins fez com as mãos um gesto que parece remeter ao símbolo “WP”, em referência a lema “white power” (“supremacia branca”). Esse gesto, que se assemelha a um “OK”, é classificado desde 2019 como “uma verdadeira expressão da supremacia branca” pela Liga Antidifamação dos EUA, segundo reportagem da BBC.

“Ele fez um sinal de supremacia branca enquanto arruma o terno. É muito difícil ele dizer que não sabe o que está fazendo. É um sinal de supremacia branca. É um sinal que é usado como senha em diversos grupos, como o Proud Boys”, disse à Fórum a antropóloga Adriana Dias, que é doutora em antropologia social pela Unicamp, pesquisa o fenômeno do nazismo e atua como colunista.

“Um dos principais assessores de Bolsonaro, Felipe Martins, fez um sinal supremacista branco, um gesto que representa WP – White Power – ao fundo de uma fala do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Neonazistas entenderam muito bem a força disso. Resta saber se o senador também”, escreveu o jornalista Bruno Torturra, editor-chefe do programa Greg News.

Randolfe pede expulsão

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na casa legislativa, subiu o tom durante sessão realizada nesta quarta-feira (24) após Filipe Martins fazer o gesto considerado supremacista branco.

“Solicito, requeiro, na condição de líder da oposição, que ele seja retirado do Senado Federal e, inclusive, autuado pela Polícia Legislativa. Isso é inaceitável. Basta o desrespeito que este governo está tendo com 300 mil mortes. Basta isso. Não aceitamos que um capacho do senhor presidente da República venha aqui, ao Senado, nos desrespeitar”, disse o senador.

“Desculpem o excesso, mas não existem mais limites a serem ultrapassados”, completou. “Eu não sei qual é o sentido do gesto, mas isto é inaceitável”

Em resposta, o presidente do Senado acionou a secretaria-geral da Mesa Diretora e à Polícia Legislativa que identificassem o gesto denunciado por Rodrigues. Filipe Martins não foi removido da sessão.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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