ReutersO brasileiro Jair Bolsonaro está enfrentando a maior crise de sua presidência depois que os chefes do exército, marinha e força aérea se demitiram e o país registrou o maior índice de mortalidade diário Covid-19.
A renúncia sem precedentes dos chefes de defesa está sendo vista como um protesto contra as tentativas de Bolsonaro de exercer controle indevido sobre os militares.
A popularidade de Bolsonaro despencou com sua resposta à Covid-19.
Quase 314.000 pessoas morreram, com um novo recorde diário de 3.780 na terça-feira.
Houve mais de 12,5 milhões de casos confirmados.
O presidente de extrema direita do Brasil, que assumiu o poder há dois anos, tem se oposto sistematicamente às medidas de quarentena, argumentando que o dano à economia seria pior do que os efeitos do próprio coronavírus.
Ele também disse aos brasileiros para “pararem de reclamar” sobre a situação.
Na segunda-feira, o presidente foi forçado a reorganizar seu gabinete depois que os ministros das Relações Exteriores e da Defesa renunciaram.
Quão sério é isso para Bolsonaro?
É a primeira vez na história do Brasil que chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica se enfrentam por causa de um desentendimento com o presidente.
Os três homens – o general Edson Leal Pujol, o almirante Ilques Barbosa e o tenente-brigadeiro Carlos Bermudez – renunciaram na terça-feira, um dia depois que o chanceler do presidente, Ernesto Araújo, foi forçado a renunciar após duras críticas dos parlamentares.
Araújo foi acusado de lidar mal com as relações com China, Índia e Estados Unidos, o que legisladores disseram que resultou em quantidades insuficientes da vacina Covid-19 no Brasil.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, rapidamente seguiu o exemplo, levando a uma reorganização do gabinete. O ministro da Defesa entrou em confronto com Bolsonaro sobre a lealdade das Forças Armadas, que ele disse que deveriam ser direcionadas a defender a constituição em vez de apoiar o presidente pessoalmente.
