As ruínas das casas abandonadas.
O desastre ambiental causado pela exploração de sal-gema pela Braskem em Maceió completa três anos e meio e soma cerca de 57 mil pessoas atingidas em cinco bairros da cidade, tendo como epicentro o bairro do Pinheiro.
São famílias que tiveram de deixar suas casas após as residências serem condenadas pela Defesa Civil em razão de rachaduras e afundamentos. Vazias, parte das casas foi saqueada -em alguns casos, furtaram até as telhas.
Dentre os afetados pelo incidente, que começou com tremores de terra em janeiro de 2018, estão ao menos 4.500 comerciantes da região que tiveram de fechar as portas ou mudar para áreas mais seguras da cidade.
As realocações incluem lojas, supermercados, escolas, postos de combustíveis e até mesmo um hospital. O grupo Hapvida, por exemplo, teve de transferir cinco unidades que estavam na região, incluindo hospital, clínicas e laboratório. O novo centro médico foi erguido em menos de um ano em outro bairro da cidade.
“Houve um impacto gigantesco na economia dos bairros atingidos”, avalia Ronnie Mota, coordenador na prefeitura de Maceió das medidas de enfrentamento aos afundamentos.
As reparações foram definidas em um acordo firmado em janeiro de 2020 entre a Braskem e a força-tarefa formada pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual e Defensorias Estadual e da União.

Mas os comerciantes cobram celeridade no pagamento das indenizações e participação mais ativa nas negociações. Enquanto isso, decidem sobre o futuro de seus negócios.
A bailarina e professora Eliana Cavalcanti tinha imóvel próprio no bairro do Pinheiro onde mantinha há 40 anos uma das escolas mais famosas de ballet do estado, que leva seu nome.
A escola ficava em uma área de risco, próximo de uma das minas de sal-gema. Por isso, ela teve que alugar outro imóvel e levar toda a estrutura para outra região da cidade.
Eliana diz que recebeu da Braskem um auxílio para a mudança, mas precisou fazer empréstimos para as reformas. A indenização paga posteriormente representa, segundo ela, 50% do valor calculado por seus avaliadores. Parte dela foi usada para pagar aluguéis atrasados.
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