“Não é o Estado que fiscaliza a imprensa, é a imprensa que fiscaliza o Estado”. Carlos Ayres Britto
O jantar na casa de Naji Nahas, os naftaliners e a imitação impagável de Jair Messias.
Após ida a Brasília para ajudar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a escrever carta para “acalmar os ânimos” entre os Poderes, Michel Temer (MDB), aparece em vídeo dando risada de uma imitação do presidente. O humorista André Marinho, que interpreta Bolsonaro, já declarou ser um ex-bolsonarisita. Seu pai, Paulo Marinho, apoiou Bolsonaro nas eleições de 2018 e “emprestou” sua casa para a gravação de vídeos para o programa eleitoral.
A reunião na casa de Naji Nahas, depois do episódio da intervenção de Temer pela paz com o STF. Os convivas riem da imitação de Bolsonaro, por André Marinho, filho de Paulo Marinho, os dois bolsonaristas de primeira hora, mas arrependidos de sua opção política.
Temer deixou escapar alguns detalhes aos comensais reunidos ontem em sua homenagem na casa do empresário Naji Nahas, em São Paulo, sobre o episódio da sua intervenção por Jair Messias junto ao ministro Alexandre de Moraes.
Ao grupo, Temer repetiu a versão que ele já contou em nomeação sobre o caso – a de que Bolsonaro o oferta na quarta (8) à noite solicitando que intermediasse um armistício com o Supremo, e que na quinta (9), depois de aprovado o texto da carta, o presidente mandou um avião da FAB buscá-lo para levar a Brasília.
O filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, Carlos, acompanhou toda a conversa do pai com o ex-presidente Michel Temer, na reunião que teve para fechar os detalhes da carta em que Bolsonaro recua das avaliações feitas ao Supremo durante os atos de 7 de setembro.
Em privado, porém, Temer contou a um dos participantes encontro que o vereador Carlos Bolsonaro passou todo o tempo da reunião quieto em um canto da sala, observando tudo sem dizer palavra.
Na hora em que o ex-presidente fez uma ligação para que Bolsonaro e Alexandre de Moraes pudessem conversar, porém, até Carluxo saiu do gabinete para que o pai pudesse falar a sós com o ministro do STF. O diálogo durou 15 minutos.
A outro comensal, Temer ainda contou não foi muito fácil a conversa com Alexandre de Moraes para que ele aceitasse uma negociação que resultou na carta-recuo de Bolsonaro. Isso porque, segundo Moraes teria dito ao ex-presidente, como provas já reunidas pelo Supremo no inquérito das notícias falsas são “muito contundentes” e o Supremo teria que agir. Se ao final ele conseguiu que Moraes prometesse algum alívio ao Bolsonaro no inquérito, porém, Temer não falou.
O que ele repetiu várias vezes durante o jantar foi que um impeachment não seria “bom para o país”. “Eu sei o que é sofrer na presidência”, disse Temer, durante o encontro em que só havia homem, muitos da comunidade árabe paulistana.
À mesa estava o marqueteiro de Temer, Elsinho Mouco, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, o dono da rede Bandeirantes, Johnny Saad, o jornalista Roberto D’Ávila, o advogado José Rogério Cruz e Tucci (advogado e professor da USP) médico Raul Cutait, além do fator Paulo Marinho (suplente de Flávio Bolsonaro, mas rompido com o bolsonarismo) e o imitador André Marinho.
O vídeo que mostra Temer gargalhando com a imitação que Marinho faz de Jair Bolsonaro, dizendo que ia “roubar a perucas do Fux (Luiz Fux, presidente do Supremo)”, viralizou nesta manhã (veja abaixo).
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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