Do Urbs Magna.
Isso, mesmo com seu “discursos mofados” e apesar do vexame das sondagens do eleitorado. Bolsonaro está procurando a convulsão, não a eleição.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, pode estar, ainda, idealizando o clima perfeito para um golpe de Estado, de acordo com o jornalista Jânio de Freitas, em matéria publicada na Folha de S. Paulo, na tarde de sábado (25/12).
Sob o título ‘Golpe de Bolsonaro segue no seu rumo‘, o colunista diz que o presidente comprou “a aliança dos armados” e “faz retorno aos preparativos contra esmagador resultado eleitoral“.
Tal aliança, segundo o autor, foi o “aumento salarial restrito à Polícia Federal e demais servidores civis armados, como os policiais rodoviários“, o que, para Jânio de Freitas, “relaciona-se à eleição de 2022, claro. Mas não com fim eleitoral”.
A notícia do reajuste apenas para policiais provocou insatisfação geral, mas sobretudo a de auditores da Receita Federal, que farão paralisação em protesto contra a seletividade.
Jânio diz ainda que o privilégio já foi também “antecipado aos militares, quando todo o restante do serviço público federal está há cinco anos sem reposição alguma das perdas salariais“.
Assim, Bolsonaro compra “a aliança dos armados” e “faz um retorno aos agrados preparatórios do golpe frustrado [de 7 de setembro]. Logo, retorno também aos preparativos contra o esmagador resultado eleitoral antevisto nas atuais pesquisas“, escreve o jornalista.
A estratégia, diz Jânio, segue as orientações de Steve Bannon, em cuja cartilha de extrema-direita lê-se a recomendação para “provocar, irritar, manter inquietação, acusar o sistema eleitoral, atrair os bandos arruaceiros e erguer a situação para o golpe”.
Este foi o mesmo “programa que Trump praticou, fracassado na etapa final porque a invasão do Congresso não teve o desdobramento esperado”, diz o jornalista.
E “Bolsonaro adotou o programa sem desvios, também aqui fracassado na etapa final, pelo mesmo motivo de lá”, escreve Jânio, apontando o seguinte:
“Os tanques da Marinha só fumegaram ridículo em Brasília, o desfile de outra posse não moveu os apoiadores bestificados, a massa em São Paulo ouviu o discurso mofado e apenas dissipou-se”.
O jornalista ainda presume que o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, recebeu orientações de Bannon em “recente encontro“.
Mas, apesar do eventual plano, “o programa tem mais um engasgo: além da barragem feita pela Justiça Eleitoral em defesa da urna eletrônica, Bolsonaro colhe um vexame também nas sondagens do eleitorado”, diz Jânio.
“Nos Estados Unidos, o movimento golpista de Trump já provoca até advertência de generais para o risco de golpe contra a eleição de 2024″, mostra o jornalista.
Enquanto, por “aqui, Bolsonaro retoma seu ideal. Convulsão, não eleição“, pontua Jânio de Freitas. “Assunto impróprio diante de novo ano. Não no país impróprio“.
O atual Presidente da República não passa de um sedicioso, insurreto, insurgente, desde os tempos de Exército, o que provocou o famoso apodo do então presidente Ernesto Geisel: “É apenas um capitão da bunda suja”. Bolsonaro foi, então, aposentado compulsoriamente, o que gerou críticas ao julgamento do Superior Tribunal Militar, que “passou a mão” sobre o idealizador de atos terroristas.

