Lobby de armas e fundo bilionário teriam financiado campanha de Bolsonaro.

Clã Bolsonaro na porta da MFS Investment Management, em Boston (Redes sociais e Seeing Red Nebraska).

Site dos EUA publicou artigo após pesquisa sugerindo que a NRA (National Rifle Association) e a MFS, um grupo de investimentos, estariam por trás das obscuras e sigilosas viagens do clã aos EUA no período que antecedeu a eleição de 2018.

Por Henrique Rodrigues, da Revista Fórum

Um site editado por pesquisadores da área de Ciência Humanas dos EUA, o Seeing Red Nebraska, que aborda assuntos relacionados à política armamentista norte-americana e outros temas vinculados aos Direitos Humanospublicou um artigo no qual apresenta as ligações da família Bolsonaro com associações de armas daquele país, tendo como fonte uma pesquisa que remonta tanto os anos anteriores à corrida presidencial brasileira de 2018 quanto o período do último pleito, para mostrar que a campanha que levou o líder radical ao Palácio do Planalto pode ter sido financiada pelo lobby da indústria bélica local e por um fundo de investidores de Boston, com quem o clã político de extrema direita manteve reuniões.

No extenso artigo, assim como em outros relacionados à investigação, os autores mostram a associação dos filhos de Bolsonaro, Carlos e Eduardo, com figuras conhecidas do meio armamentista, como os brasileiros Yves Souza e Tony Eduardo, que segundo a publicação são parte da direção de um clube de tiro chamado 88 Tactical, localizado em Omaha, Nebraska, conhecido popularmente por seu apoio não tão velado ao nazismo (o próprio “88” do nome é uma referência, pela ordem do alfabeto, a “HH”, a sigla que remete à saudação nazista Heil Hitler).

Tony é o dono do Clube de Tiro .38, com sede em São José (SC), que se notabilizou por ser o local em que Adélio Bispo, o autor da facada dada em Jair Bolsonaro em setembro de 2018, treinou. O clube também é frequentado com assiduidade por Carlos e Eduardo Bolsonaro. Entre outras figuras arroladas no levantamento do Seeing Red Nebraska aparecem Royce Gracie, lutador de jiu-jitsu muito prestigiado nos EUA e que dá treinamento para diversas unidades de elite das policiais norte-americanas, e John Bailey, diretor da NRA (National Rifle Association), a poderosa associação que congrega os principais financiadores do lobby pró-armas dos EUA.

O artigo relata reuniões e encontros que tiveram início em 2012 e que seguiram acontecendo em 2015, 2016 2017, inclusive no período em que a NRA dava suporte financeiro à campanha presidencial de Donald Trump e a um partido de extrema direita da Austrália, o One National, que viria a disputar o pleito de 2019. A promessa, no caso dos australianos, era de que, em caso de vitória, as leis contra a proliferação de armas seriam afrouxadas na nação da Oceania, algo semelhante ao que caberia ao clã Bolsonaro aqui no Brasil, alega o Seeing Red Nebraska.

As confirmações de reuniões com Gracie e com chefões da NRA foram todas extraídas das redes sociais dos próprios rebentos do homem que se tornaria futuro presidente da República.

O site mostra ainda, por meio de uma cronologia que bate com as publicações de Carlos e Eduardo, que após esses encontros em que a indústria de armas dos EUA impunha sua sanha pelo mercado brasileiro, em 2017, Eduardo realizou até uma manifestação em São Paulo contra o Estatuto do Desarmamento, prometendo uma suspensão total ou parcial da legislação restritiva em caso de vitória do pai nas urnas.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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