
Otto Alencar se tornou a pedra angular da política situacionista na Bahia.
Os dados ainda estão rolando. No entanto, uma reunião de Lula, com o senador Otto Alencar, João Leão, Jaques Wagner e Rui Costa, pode ter alterado a trajetória da política baiana para outubro deste ano.
Segundo se comenta, Otto poderia ser o novo candidato a governador, reservando um lugar da chapa para o PP. Rui Costa seria o candidato ao Senado e João Leão assumiria o Governo por 8 meses. Jacques Wagner cumpriria os últimos 4 anos do seu mandato e poderia assumir um importante ministério de Lula, caso venha a confirmar-se sua eleição.
Segundo Raul Monteiro, do Política Livre, a reunião fora articulada por Lula com Rui com o objetivo de dar uma demonstração de boa vontade ao PSD, partido que o líder petista gostaria de ver apoiando sua candidatura presidencial, e ao mesmo tempo criar as condições para que o governador se eleja senador, atendendo ao projeto petista de formar bancadas no Congresso.
Mas Otto teria feito ponderações sobre sua idade e saúde, que não gostaria de desgastar numa campanha como titular de uma chapa majoritária, e a dificuldade para assegurar a estrutura para bancá-la, principalmente entre os meses de abril a julho, já que os recursos do fundo eleitoral só estarão disponíveis a partir de agosto.
Wagner, por sua vez, mesmo a contragosto, não fez óbice à proposta, mais por avaliar que ela poderia ser benéfica para garantir o apoio do PSD nacional à candidatura de Lula do que por garantir a eleição de Rui ao Senado, a qual, desde o princípio, não encara com bons olhos.
Para assegurar que o plano não imporia fraturas à bem sucedida coalizão governista, integrada também pelo PP, Rui chegou a apresentar a proposta de transformar o vice-governador João Leão em seu suplente ao Senado, com a garantia de que o progressista assumiria o mandato de senador com sua ida para um eventual ministério de Lula.
Ao plano, naturalmente, Lula deu total aval. Avançando ainda mais com relação ao contorno que a articulação teria, Rui e ele chegaram a apresentar a conformação completa da chapa: Além de integrada por Otto, na cabeça, e o governador disputando a Senatória, incorporaria como nome do PP na vice o deputado federal Ronaldo Carletto.
O parlamentar vinha sendo dado como carta fora do baralho há meses, mas foi ressuscitado pelo governador. Na visão de um parlamentar petista que teve acesso prévio ao conteúdo que Rui levaria para a reunião, a equação seria perfeita, porque contemplaria Rui, como ministro, Leão, como senador, Otto, como governador, e Carletto, de vice.
Quanto a Wagner, completaria seu mandato de senador ao lado de outro aliado, Angelo Coronel (PSD), que, como ele, tem cinco anos de mandato pela frente. “Não tem como você não dizer que todos sairiam ganhando”, avaliou a mesma fonte para o Política Livre ainda ontem à noite, depois que, em seguida à reunião, Wagner anunciou que continuava candidato ao governo.
Os desdobramentos do encontro foram acompanhados com nervosismo ontem à tarde de longe pelos deputados do PT – estaduais e federais – à espera do que seria definido e do impacto da retirada da candidatura do PT em suas campanhas. Alguns deles chegaram a tratar o plano de Rui e Lula como um verdadeiro “golpe” em Wagner.
Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
Ver todos posts por jornaloexpresso