Artigo de André Duchiade, para o jornal Extra.
Acuado por uma avassaladora invasão russa, que chegou a Kiev, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu negociações ao Kremlin em dois pronunciamentos diferentes nesta sexta-feira. Em um deles, o líder ucraniano afirmou que seu país pode adotar um “status neutro” — o que, na prática, significaria o abandono da ambição de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos.
Após inicialmente rejeitar a proposta, declarando por meio de seu chanceler que Zelensky “mentia” e que a diplomacia só teria lugar após uma rendição, o Kremlin afirmou que Vladimir Putin está disposto a enviar uma delegação para Minsk, capital de sua aliada Bielorrússia, para negociações.
— Vladimir Putin está disposto a enviar uma delegação russa de alto nível para Minsk para negociações com uma delegação ucraniana — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a agências russas de notícias.
Posteriormente, Peskov afirmou que os ucranianos propuseram que as negociações ocorram em Varsóvia (Polônia), e não em Minsk, mas que os contatos entre as duas partes agora estão “em pausa”. Ele não declarou se Putin aceitou a contraproposta.
Ao mesmo tempo, em uma reunião televisionada do seu Conselho de Segurança, Putin pediu aos militares ucranianos que assumam o governo, ou seja, que derrubem Zelensky, porque dessa forma “seria mais fácil negociar”.
— Apelo mais uma vez aos militares das Forças Armadas da Ucrânia: não permitam que neonazistas e (nacionalistas radicais ucranianos) usem seus filhos, mulheres e idosos como escudos humanos — disse Putin em uma reunião por videoconferência com o Conselho de Segurança da Rússia que teve transmissão televisiva.
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Putin afirmou que a Rússia está lutando principalmente contra “ultranacionalistas” e pediu por um golpe militar:
— Tomem o poder em suas próprias mãos. Parece que assim mais fácil para nós chegarmos a um acordo do que com essa gangue de drogados e neonazistas.
Apelos de Zelensky
O primeiro apelo de Zelesnky foi feito em um discurso na televisão logo após a meia-noite de quinta-feira em Kiev — poucas horas antes, portanto, do começo do ataque à capital, desencadeado às 4h locais desta sexta. Nele, o líder ucraniano disse estar disposto a negociar sobre qualquer assunto:
— Não temos medo de falar sobre nada. Sobre garantias de segurança para nosso país. Não temos medo de falar sobre o status neutro, e não estamos na Otan no momento — afirmou, antes de ressaltar que essa condição tornaria seu país vulnerável a futuras agressões. — Mas que garantias e, mais importante, quais países específicos nos dariam [garantias]?
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