Não é tão burro como tem as orelhas: Deltan criou fundo para se proteger de processos.

Veja mostra que o ex-procurador tinha preocupação em sobreviver a eventuais condenações na Justiça

O ex-procurador Deltan Dallagnol, que recentemente foi condenado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) ao pagamento de danos morais no valor de R$ 75 mil a LULA, por conta da espetacularização do power point, criou, no ano de 2017, um fundo, com valores originários de suas palestras, destinado a indenizar quem quer que o processasse, conforme mostram mensagens trocadas no aplicativo Telegram, obtidas por meio do hackeamento de celulares de integrantes da força-tarefa, apreendidas pela Polícia Federal na Operação Spoofing e fornecidas à defesa do ex-presidente pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF.

As mensagens foram divulgadas pela Veja, no fim da tarde desta quarta-feira (30/3), e são datadas dos meses seguintes a dezembro de 2016, quando a defesa de LULA protocolou a ação do power point. Em uma das conversas, o ex-procurador dizia:

Depois, ele achou que a ideia pudesse ser interpretada como “confissão de culpa”. De acordo com transcrição de sua fala, feita pelo jornalista  João Pedroso de Campos para a coluna Maquiavel, editada por José Benedito da Silva, Deltan indagou:

Dallagnol também atribui a criação do fundo especificamente àquela ação por danos morais, supramencionada, movida por LULA. A outro interlocutor, o ex-procurador indagou, em janeiro de 2017:

Em mais outra conversa, em junho de 2017, Dallagnol disse:

No Facebook, o ex-procurador se referiu ao fundo, em publicação de 17 de junho de 2017:

Segundo a defesa de LULA, em 2017 Deltan Dallagnol conversou com Roberto Leonel, ex-auditor da Receita Federal, com interesse em tributos incidentes sobre valores de palestras. O ex-procurador citou o ex-presidente e disse que os valores das palestras destinavam-se à construção do hospital oncopediátrico Erasto Gaertner, em Curitiba:

A veja mostrou ainda que, ao se dirigir a Ricardo Lewandowski, a defesa de LULA questiona o motivo das doações a Deltan Dallagnol para pagamento da indenização, diante da constituição de um fundo com essa motivação. Cristiano Zanin Martins pede que o material seja compartilhado com o STJ:

Avatar de Desconhecido

Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

Deixe um comentário