
Dolarização turbinou inflação de dois dígitos, após o mega reajuste anunciado no início de março, mostra o PT, que promete recuperar a Petrobras para o povo
Relatório divulgado pela consultoria do próximo presidente da Petrobras, Adriano Pires, apontou preços da gasolina e do diesel com defasagens em relação às cotações internacionais, o que indica que a dolarização imporá novos aumentos dos combustíveis. A política de preços tem turbinado uma inflação que já alcança dois dígitos, após o mega reajuste anunciado no início de março, como mostra o PT, que promete recuperar a Petrobras para o povo.
“De acordo com a atualização mais recente, em 28 de março, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou R$ 0,57/litro (ou -11,1%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se ao crescimento de 1,7% no preço internacional do diesel, e a queda de 3,5% da taxa de câmbio (R$/US%) com relação à semana anterior”, diz o documento sobre o diesel, conforme transcrição da coluna de Míriam Leitão, no Globo.
Já sobre a gasolina, o texto afirma que “o preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,25/litro (ou -6%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 28 de março. O resultado teve influência da retração de 6,4% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e da queda da taxa de câmbio, citada acima. Tal como para o diesel, não houve reajustes no preço da gasolina nas refinarias nacionais.”
Leitão diz que, no entanto, “pelas contas da Abicom, a associação dos importadores, atualizada até 31 de março, os números são mais favoráveis. No caso da gasolina, o preço no Brasil estaria 1% mais alto, ou seja, com esse pequeno espaço para redução, enquanto no diesel estaria 2% mais alto. A diferença é que a Abicom faz uma conta diária, enquanto o CBIE olha para uma média semanal”.
A jornalista informou ainda que “uma das dúvidas sobre a futura gestão de Pires na Petrobras se dá em temas que possam gerar conflito de interesses com sua consultoria. Especialmente no setor de gás, há forte preocupação, porque ele atuava intensamente nos bastidores e foi um dos defensores da construção de termelétricas longe de centros urbanos, durante a tramitação do PL que permitiu a privatização da Eletrobras”.
PT mostra que inflação é turbinada por dolarização
O Pardido dos Trabalhadores mostra em seu site que a dolarização do preço dos combustíveis turbinou a inflação de dois dígitos, após o mega reajuste anunciado no início de março, com efeito imediato sobre produção, consumo e construção civil.
A presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, repete LULA ao afirmar que a “Petrobras tem de voltar a ser dos brasileiros”.
Como já era previsto, o mega reajuste de 18,8% para a gasolina e de 24,9% para o diesel que vigora desde 11 de março gerou um efeito em cadeia na já descontrolada carestia dos dois dígitos de Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes. Um dos dois índices inflacionários anunciados nesta quinta-feira (30) – a “inflação do aluguel” – reflete diretamente a dolarização de preços adotada pela Petrobras a partir de 2016.
Referência nas negociações entre inquilinos e imobiliárias, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu 1,74% em março. O indicador superou a expectativa de pesquisa da Reuters com analistas do mercado, que estimava avanço de 1,37%, após a variação de 1,83% em fevereiro. Com isso, a alta acumulada em 12 meses chegou a 14,77%.
O indicador do IBGE soma no ano variação de 1,77%, o terceiro maior resultado já registrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2014. No acumulado em 12 meses, o IPP chega a 20,05%.
“Nesta apuração, os combustíveis começaram a influenciar os resultados da inflação ao produtor e ao consumidor. O preço do diesel avançou para 8,89% ao produtor, e o da gasolina subiu 1,36% ao consumidor”, afirma o Coordenador dos Índices de Preços da FGV, André Braz.
“Os preços do trigo (de 1,69% para 4,90%), da farinha de trigo (de 2,68% para 6,25%) e dos pães e bolos industrializados (de 1,11% para 1,20%) também começaram a registrar aceleração no índice ao produtor”, completou o pesquisador, destacando as consequências das sanções econômicas à Rússia sobre o preço da comodity.
Um dos dois índices inflacionários anunciados nesta quinta-feira (30) – a “inflação do aluguel” – reflete diretamente a dolarização de preços adotada pela Petrobras a partir de 2016.
O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, teve alta de 2,07%, após subir 2,36% em fevereiro. Reflexo da alta dos Bens Intermediários, que acelerou de 1,50% em fevereiro para 2,06% em março, como resultado do aumento do custo, de 5,40% para 8,02%, de combustíveis e lubrificantes para a produção.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, também acelerou a alta – de 0,33% em fevereiro para 0,86% em março. Da mesma forma, a principal contribuição partiu do grupo Transportes, cujo aumento de preços acelerou de 0,26% para 1,15%, com alta de 1,36% da gasolina. E com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que variou 0,73% em março, ante 0,48% em fevereiro.
“Brasil precisa saber a verdade: dolarização é forma perversa de extorquir o povo para favorecer acionistas privados, na maioria estrangeiros. Petrobras tem de voltar a ser dos brasileiros”, comentou a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), em postagem no Twitter.
Do Urbs Magna, editado.
