
O Planalto recuou da nomeação do ex-capitão do Exército Victor Felismino Carneiro como diretor-geral da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência. Como o Bastidor revelou ontem (terça), a indicação de Carneiro estava travada na Presidência há semanas.
O Diário Oficial de hoje (quarta) traz a nomeação de Carneiro como diretor-adjunto da Abin. Ele era superintendente da agência no Rio. Fora indicado por Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e delegado de confiança da família Bolsonaro. Ramagem será candidato no Rio.
É, portanto, uma manobra, não uma desistência. Como diretor-adjunto, Carneiro poderá tocar a Abin sem precisar passar pela exposição de uma sabatina no Congresso – o que aconteceria se ele fosse confirmado como diretor-geral. O Bastidor antecipou que Bolsonaro foi alertado que o nome de Carneiro enfrenta sérios obstáculos (internos e externos). Poderia causar problemas imensos se apreciado no Senado.
O expediente visa a manter o grupo de Ramagem, conhecido como “turma da PF”, no comando da agência, ainda que de modo precário. São pessoas leais à família do presidente, mas estranhos ao corpo da Abin. Oficiais de inteligência estão indignados com a captura do órgão e com a condução dos trabalhos desde que Ramagem assumiu o cargo.
Os profissionais da agência estão preocupados com a ausência de um diretor-geral – e um diretor-geral qualificado para a função. Dizem que a precariedade decorrente desse arranjo, associada ao tipo de trabalho hoje privilegiado na Abin, põe sob sério risco as atividades de inteligência de Estado e a Segurança Nacional.
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Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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