Militares não querem abrir mão do poder pela via democrática.

Bolsonaro usa helicóptero e anda a cavalo para prestigiar ato na Esplanada contra STF e Congresso | Política: Diario de Pernambuco

Bolsonaro deve apear do matungo para um governo Verde-Oliva raiz.

Coluna de Marcelo Godoy, hoje, no Estadão:

“Militares querem manter o poder até 2035 e extinguir gratuidade do SUS até 2025. Documento do Instituto Villas Boas teve apoio de Hamilton Mourão. Ele prega combate ao globalismo, identificado com as finanças internacionais, cobrança de mensalidades em universidades e a “neutralização” de ideologias de ensino.”

O golpe se avizinha porque até as pedras dos alicerces dos palácios de Brasília sabem que Bolsonaro perde a eleição. Provavelmente no primeiro turno.

Um documento de 93 páginas intitulado “Projeto de Nação” mobilizou uma parcela de militares – entre eles o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas – na última quinta-feira (19) em Brasília.

O “estudo” está sob tutela do general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), a ONG do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e tem a chancela do Instituto Sagres, dirigido por ele, e da ONG do ex-comandante do Exército, o Instituto General Villas Bôas (IGVB) – o mesmo que ameaçou o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 durante julgamento do habeas corpus que daria a liberdade a Lula (PT). Fecha a tríade o chamado Instituto Federalista.

De forma surreal, o “estudo” inicia com um “relatório de conjuntura”, mostrando a “evolução política-estratégica” datado de setembro de 2035, quando impera “o chamado globalismo — movimento internacionalista cujo objetivo é determinar, dirigir e controlar as relações entre as nações e entre os próprios cidadãos, por meio de posições, atitudes, intervenções e imposições de caráter autoritário, porém disfarçados como socialmente corretos e necessários”.

O documento, que está sendo distribuído pelo Instituto Sagres – uma ong que reúne militares e ultraconservadores para prestação de “consultorias” – e pelo IGVB prevê que o bolsonarismo triunfe até a data e lista 37 temas, divididos em sete eixos, para implantação do “projeto de nação”.

Entre as metas estão o fim da obrigatoriedade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a cobrança de mensalidades em universidades públicas até 2025.

“Vale assinalar os esforços empreendidos por sucessivos governos, a partir do início da década de 2020, com vistas a aperfeiçoar o sistema de gestão e controle dos recursos públicos alocados para o SUS. Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passou a cobrar indenizações pelos serviços prestados”, diz o texto com ar futurista.

“Quanto à Educação Superior, o quadro não era muito diferente. Amplos setores das Instituições de Ensino Superior (IES) — principalmente as públicas — transformaram-se em centros de luta ideológica e de doutrinação político-partidária”, diz o “estudo” em outro trecho, ressaltando que “um marco importante para a melhoria de desempenho das universidades públicas, mas que sofreu forte resistência para vingar, foi a decisão de cobrar mensalidades/anualidades”.

Villas Bôas e Mourão: as estrelas do evento

O evento de lançamento do “projeto de nação” aconteceu no auditório da Fundação Habitacional do Exército (FHE), entidade que gerencia a Associação de Poupança e Empréstimo (Poupex) dos militares, e teve como estrelas Villas Bôas e Mourão.

“Certamente, aqui está uma parcela importante do pensamento estratégico do Brasil”, disse o ex-comandante do Exército em discurso lido pela Presidente do IGVB, Maria Aparecida Villas Bôas, esposa do militar.

Em sua fala, Mourão, que é pré-candidato ao Senado pelo Republicanos no Rio Grande do Sul, agradeceu o “trabalho de gigantes”.

 “Eu saio daqui esta noite extremamente recompensado por tudo que vi e por, mais uma vez, acreditar que aqui está sendo lançada a pedra fundamental para aquilo que eu considero que é o Destino Manifesto do nosso País: ser a maior e mais próspera democracia liberal ao sul do Equador”, disse o vice-presidente.

Hitler estava na procura de um “espaço vital” necessário para a nação ariana cumprir seu destino. Mourão objetiva o Destino Manifesto do País.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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