Por Décio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa, membro fundador do CESB e do Conselho Agro Sustentável
No dia 23 de junho foi realizado o Fórum Nacional de Máxima Produtividade do CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil). Apesar dos problemas climáticos da última safra, mormente devidos ao fenômeno La Niña, que reduziram a produtividade da soja brasileira em cerca de 14%, os números obtidos pelos produtores que participaram do Desafio se mostraram expressivos. O vencedor nacional obteve 7.611 kg/ha, 125% acima da média nacional (Conab), com uma lucratividade de 74,1% e retorno de 2,9 vezes sobre o capital investido.
As produtividades dos campeões são auditadas por uma empresa independente, e os cálculos de rentabilidade executados de acordo com os registros do produtor, sendo efetuado pelo CESB com a metodologia padrão do CEPEA/ESALQ/USP.
Produtividade
O Desafio confere uma distinção ao produtor de soja com produtividade mais elevada, em cada uma das regiões do Brasil, na categoria cultivo de sequeiro. Também reconhece um único produtor de cultivo irrigado, com abrangência nacional, e todos competem para apuração do produtor com maior produtividade de soja ao nível nacional. Na edição de 2022, os vencedores foram:
– Região Norte: A maior produtividade, de 5.420 kg/ha, foi registrada na empresa Bertão e Azevedo Produção Agrícola Ltda. (Castanheiras – RO), tendo como consultor Murilo Munarini. Para comparação, a Conab informa que a produtividade na região foi de 3.248 kg/ha, alcançando 3.335 kg/ha em Rondônia.
– Região Nordeste: Com produtividade de 6.859 kg/ha, o vencedor foi o Grupo Gorgen (Riachão das Neves – BA), e seu consultor Edinei Fugalli. Na região, a produtividade informada pela Conab foi de 3.671 kg/ha, tendo sido de 3.900 kg/ha na Bahia.
– Região Centro-Oeste: O produtor Rodolfo Paulo Schlatter (Chapadão do Céu – GO) foi o vencedor regional e seu consultor foi Fabiano Müller, obtendo a produtividade de 7.028 kg/ha. A produtividade média referida pela Conab é de 3.552 kg/ha, para a região, e de 3.958 kg/ha para Goiás.
– Região Sudeste: Matheus Leonel Nunes foi o produtor vencedor dessa região, sendo proprietário da Fazenda São João, localizada em Pilar do Sul – SP que, juntamente com o consultor Rafael Antonio Campos de Oliveira, obteve 7.611 kg/ha. Essa foi a maior produtividade registrada no Desafio 2022. A Conab informa produtividade média de 3.836 kg/ha para essa região e de 3.850 para o estado de São Paulo.
– Região Sul: O vencedor, Eder Leomar dos Santos, é do município de Camaquã-RS, tendo como consultor Francisco Giudice Azevedo, obtendo 6.888 kg/ha. A região Sul foi a mais atingida pela seca na safra passada, onde a Conab registrou produtividade média de 1.835 kg/ha, tendo sido de 1.433 kg/ha no Rio Grande do Sul.
– Cultivo Irrigado: O vencedor, Eduardo Burck de Sousa Costa, também é do Rio Grande do Sul (Arroio Grande), e seu consultor foi Lucas Jackson de Souza. Juntos, obtiveram a produtividade de 7.045 kg/ha.
Resumo da produtividade
O vencedor do Desafio, na categoria Nacional, o produtor Matheus Leonel Nunes, obteve produtividade 151% superior à média nacional e 198% maior que a média da sua região e seu estado (SP). Na média dos seis vencedores, a produtividade obtida foi 125% superior à média nacional, estimada pela Conab.
Na tabela a seguir, os resultados dos vencedores estão sintetizados, informando a produtividade do vencedor de cada região, comparando-a com a produtividade média de seu estado e região, fornecida pela Conab, e o percentual de incremento do vencedor sobre estas produtividades.
O gráfico a seguir mostra a evolução da produtividade da soja no Brasil (média da Conab), comparada com o produtor vencedor do Desafio e os dez primeiros colocados em cada ano, entre 2009 e 2022. Na média dos 14 desafios, o vencedor obteve incremento de 133% sobre a produtividade brasileira. Já a média dos dez primeiros colocados foi 109% superior à média brasileira. É assaz entusiasmante observar a proximidade do rendimento médio dos dez primeiros colocados, em relação ao vencedor do mesmo ano, o que demonstra que não se trata de um caso isolado de sucesso, mas de um contexto de alta produtividade.

