Lula vence Bolsonaro com folga nos três maiores colégios eleitorais do país

Por Ricardo Kotscho, colunista do UOL

Na nova bateria de pesquisas divulgada esta semana pelo Datafolha, os números que me chamaram mais a atenção foram os da corrida presidencial em São Paulo, Minas Gerais e Rio de janeiro, respectivamente, primeiro, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país.

Em 2018, foi exatamente nesses três estados decisivos para a eleição que Jair Bolsonaro garantiu a vitória ao abrir larga vantagem sobre o petista Fernando Haddad.

Este ano, o quadro se inverteu, apontando folgada vitória do ex-presidente Lula:

São Paulo: Lula 43% X Bolsonaro 30%

Minas Gerais: Lula 48% X Bolsonaro 28%

Rio de Janeiro: Lula 41% X Bolsonaro 34%

Esses 20 pontos de vantagem de Lula sobre Bolsonaro em Minas podem ser o fator decisivo. Até hoje, após a redemocratização, nenhum candidato a presidente da República foi eleito sem ganhar neste estado, considerado síntese do país.

Diante destes números, que confirmam todas as anteriores pesquisas confiáveis deste ano, Joelmir Tavares, da Folha, chegou à conclusão em matéria publicada hoje que “pesquisas e cientistas políticos afastam possível reviravolta na corrida presidencial. “

Para a cientista política Carolina de Paula, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), citada na reportagem, “levando em conta apenas os elementos normais de análise de conjuntura, é difícil imaginar alguma mudança no cenário. Só se considerarmos eventos extras, como facadas e similares”.

Se lembrarmos que, fora destes grandes colégios do sudeste, o maior contingente de eleitores se concentra no nordeste (27%), a vantagem estabelecida por Lula a três meses da abertura das urnas, revela-se ainda maior: 58% contra 19% de Bolsonaro naquela região.

Outro dado a destacar nestas pesquisas são os altos índices de rejeição que tornaram o atual presidente um estorvo para os seus candidatos nas eleições estaduais.

Vejam os números:

* 64% dos eleitores de São Paulo não votariam de jeito nenhum no candidato apoiado por Bolsonaro, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem 13% na pesquisa, empatado com o tucano Rodrigo Garcia, contra 34% do petista Fernando Haddad. Apoiado pelo presidente, o apresentador José Luiz Datena desistiu esta semana de ser candidato ao Senado na chapa de Tarcísio.

* No Rio, 58% dos eleitores não votariam no candidato apoiado pelo presidente, o atual governador Cláudio Castro (PL), com 23% na pesquisa, tecnicamente empatado com Marcelo Freixo (PSB), com 22%, que está aliado com o PT de Lula. Mas PT e PSB ainda brigam pela vaga de senador, o que pode implodir a aliança.

* Em Minas, onde 55% não votariam no candidato de Bolsonaro, o atual governador, Romeu Zema, do Novo, foi mais esperto: procurou se distanciar do presidente e lidera a pesquisa com larga vantagem (48%) sobre Alexandre Kalil (PSD), apoiado por Lula, que tem 21%. Já surgiu até o voto “Lulema”, uma repetição do “Lulécio” da eleição de 2002, que levou Lula e Aécio Neves (PSDB) à vitória no estado. Entre a eleição e a posse, lembro que Aécio até promoveu um encontro entre o novo presidente e os governadores tucanos em Araxá (MG). Eram outros tempos.

Hoje, o ex-presidente candidato ao terceiro mandato tem como vice, em lugar do empresário mineiro José Alencar, o ex-tucano Geraldo Alckmin, quatro vezes governador, e pela primeira vez lidera a eleição em São Paulo numa campanha presidencial.

Nas voltas que a vida dá, o antipetismo de 2018, que impulsionou a vitória do então deputado do baixo clero, quando Lula estava preso em Curitiba pela Lava Jato, deu lugar ao antibolsonarismo, que se reflete também nas disputas estaduais.

O que ainda pode mudar este cenário, que parece congelado faz meses, é o “pacote de bondades” a ser distribuído pelo governo, ao custo de R$ 41,2 bilhões, também chamado de “pacote do desespero”, aprovado esta semana quase por unanimidade no Senado, que aumentou em R$ 200 o Auxílio Brasil e dobrou o valor do vale-gás, entre outros benefícios. Só falta a PEC ser aprovada na Câmara, o que se dá como favas contadas.

Para saber quais efeitos esse pacote terá na compra de votos, precisamos esperar o próximo Datafolha.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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