Nos tempos da ditadura Castilhista, no Rio Grande do Sul, durante os 25 anos do Governo de Borges de Medeiros, nas primeiras décadas do século 20, todo tipo de fraude eleitoral era perpetrada.
A mais comum delas era a entrega de um envelope, pronto para ser depositado na urna, recheado com cédulas impressas com todos os candidatos do Governo.
Esse trabalho de entrega do envelope era feito por um jagunço ameaçador, mal encarado, que portava um trabuco na cintura.
Meu avô, Murilo dos Santos Sampaio, maragato de cruz na testa, oposicionista e líder de um pequeno grupo de cavaleiros, que lutaram em 1923.
Filho de um biriva, tropeiros que levavam mulas de Cruz Alta para a feira de Sorocaba, depois de dois meses de viagem, tinha no sangue a determinação e a coragem.
No dia da votação, ao entrar no fórum, na junta eleitoral, foi assediado pelo jagunço com o envelope “governista”. Ao que rechaçou:
-Se dê o devido respeito, caboclo, que o meu envelope eu trago de casa e não voto em chimango.
Feito isso, cruzou o salão e depositou seus votos, cédulas impressas, na urna, assinou a ata de votação e saiu assobiando baixinho, com a alma leve como um passarinho.
Birivas e o lenço maragato, orgulho de qualquer gaúcho.

