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Quem está interessado em jogar fora das quatro linhas? Bolsonaro só pensa naquilo.

20/09/2022

Três ministros do Tribunal Superior Eleitoral afirmaram ao Bastidor nos últimos dias, sob reserva, terem crescente convicção de que o presidente Jair Bolsonaro questionará indevidamente o resultados das eleições, em caso de derrota. Acreditam que Bolsonaro usará o Ministério da Defesa para lançar dúvidas, formalmente, sobre a integridade das urnas eletrônicas e da totalização de votos da Justiça Eleitoral.

Parece um prognóstico evidente, em face dos ataques sistemáticos do presidente e de seus aliados tanto às urnas eletrônicas quanto às ações dos ministros do TSE. Ontem mesmo, Bolsonaro disse, em entrevista: “Se nós não ganharmos no primeiro turno, algo de anormal aconteceu dentro do TSE”. (Convém lembrar que o presidente, ao menos por ora, perde de Lula em todas as pesquisas confiáveis; resta em aberto a possibilidade ou não de segundo turno.)

Embora o comportamento do presidente aponte há meses a forte possibilidade de um embate dele com a Justiça Eleitoral após o pleito, esses ministros hesitavam em admitir, mesmo sob anonimato, as circunstâncias e as consequências desse cenário. Não queriam, em maior ou menor grau, estimular, precocemente, o ataque bolsonarista.

Conforme se aproxima o primeiro turno, porém, aumenta a tensão entre ministros e assessores do TSE. Eles, ou a maioria deles, sabem que, em caso de derrota, Bolsonaro dificilmente limitará suas investidas ao campo do discurso. Dão como certo, ainda nesse cenário, ações judiciais que peçam recontagem de votos, auditorias externas nas urnas, entre outras medidas de impacto perante os eleitores bolsonaristas.

Os ministros preparam-se para essa guerra. O maior temor, contudo, é a possível instrumentalização do Ministério da Defesa. Se a cúpula militar for para a trincheira ao lado do presidente, emprestando seu prestígio à posição golpista, estará instalada uma crise institucional.

É por isso que os ministros do TSE ainda tentam manter diálogo e uma relação cordial com os militares. Para defender as urnas e o resultado das eleições, o TSE, guarnecido pelo Supremo e pelo Congresso, terá que atacar, por definição, aqueles que se amotinarem com Bolsonaro. E ninguém quer briga com o Ministério da Defesa.

O que cresce, portanto, é a convicção de que essa briga talvez se revele incontornável – e com desfecho imprevisível

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