Caixa empresta R$ 75 milhões no primeiro dia do consignado do Auxílio Brasil.

Até parece mentira, mas os bancos vão emprestar dinheiro – e óbvio, cobrar juros, de 3,45% ao mês – com garantia no meio salário mínimo, 600 reais, que o governo está concedendo aos mais necessitados. É óbvio que esse valor será usado para pagar dívidas atrasadas e nos próximos meses os beneficiários voltarão a ficar sem uma parte do auxílio.

Nas primeiras horas de operação do crédito consignado do Auxílio Brasil, a Caixa Econômica Federal já emprestou cerca de R$ 75 milhões. Foram aproximadamente 30 mil contratos pactuados, com valor médio de R$ 2.500 até a tarde desta terça-feira (11). Os números serão atualizados pelo banco até o fim do dia.

O empréstimo pode ser contratado pelo aplicativo Caixa Tem, nas lotéricas, em correspondentes Caixa Aqui ou pessoalmente nas agências.

O Auxílio Brasil atenderá, até o fim de outubro, 21,13 milhões de famílias, cerca de 500 mil a mais em comparação ao mês anterior. O empréstimo pode ser solicitado pelo responsável pelo auxílio, mas apenas se o benefício é pago há mais de 90 dias e caso a pessoa não tenha deixado de comparecer a qualquer convocação do Ministério da Cidadania.

A presidente da Caixa, Daniella Marques, já havia anunciado na véspera, em rede social, que o banco começaria a oferecer o empréstimo nesta terça.

As autoridades do Governo estão criando uma zona de conforto para os beneficiários sem alertar para os custos e as consequências do empréstimo. O objetivo eleitoral da medida parece óbvio.

Seria exagero chamar o processo de usura sobre a fome? Os empréstimos para grandes empresas e agronegócio tem juros menor que a metade do percentual exigido dos mais vulneráveis.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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