O que a que a mídia chama de “mercado”, que jornalistas tratam como entidade mítica, na verdade é um clube de operadores
Luis Nassifjornalggn@gmail.com
Nem se fale do ridículo do tal mercado fazer subir o dólar e a Bolsa e o movimento refluir no dia seguinte. Foi um vexame maior do que os bloqueadores de estradas.
Mas é interessante entender esse jogo de forças.
O que a que a mídia chama de “mercado”, que os jornalistas tratam como entidade mítica, impessoal, na verdade trata-se de um clube de operadores – aquelas pessoas que dão ordens de compra e venda para dinheiro de terceiros. São tão assalariados quanto os jornalistas que se dizem íntimos, com alguns benefícios adicionais, como prêmios por resultados.
Mas dão status aos jornalistas, que recolhem qualquer afirmação do operador e atribuem, de boca cheia, a “fontes do mercado”.
Na ditadura, havia jornalistas com acesso a Golbery dos Couto e Silva e Heitor de Aquino. Quem não tinha acesso recorria ao Sargento Quintão – um ajudante de ordens de Golbery – e atribuía as declarações, muitas delas estapafúrdias, a “fontes do Palácio”. É a versão preliminar das “fontes do mercado” mencionadas por repórteres.
Entre os operadores, há um primeiro time mais esperto que atua de forma cartelizada. Isto é, combinam, entre eles, movimentos de venda ou de compra de contratos de juros e câmbio. A intenção é faturar em cima dos trouxas, a rapa que não pertence ao clube e que são guiadas pela parceria com a imprensa.
Conseguem movimentos, mas de curto prazo.
Por exemplo, criam um acordo tácito de que se se falar no nome de Henrique Meirelles para Ministro da Fazenda é hora de comprar – “comprando”, a Bolsa e os contratos futuros de juros sobem. Se for Fernando Haddad, é hora de vender. Se sair a reforma da Previdência é para comprar; se não sair é para vender.
Não lhes peça nenhuma análise sobre causas e consequências das medidas. O movimento macro é do pensamento único: se cortar despesas, compre; se aumentar os gastos, venda. São profundos e analíticos como um filho temporão do Sardenberg com a Cantanhede.
Mas são esses movimentos que permitem bicar ganhos em cima da plebe ignara.
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Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril Ver todos posts por jornaloexpresso

