Passando a boiada: Bolsonaro fez vista grossa a R$18 bilhões de multas ambientais

O governo Bolsonaro fez vista grossa a pelo menos R$ 18 bi em multas do Meio Ambiente que foram aplicadas nos últimos anos. A área mais afetada é a de desmatamento.

O valor representa seis vezes o previsto (R$ 3 bilhões) no relatório do Orçamento, do senador Marcelo Castro (MDB-PI), para o ministério em 2023.

É ainda mais de 200 vezes maior que o montante (R$ 81 milhões) que o senador Fabiano Contarato (PT-ES), relator da área de Meio Ambiente do Orçamento, pediu em seu relatório para a criação e manutenção de unidades de conservação.

Segundo fontes do grupo técnico da transição, essa “anistia” aos infratores pode ser ainda maior, já que os membros estavam com dificuldade de conseguir informações completas do atual governo, diz a matéria do UOL.

Essas infrações têm normalmente um prazo e, se não forem pagas em um período, deixam de existir. Assim, o dinheiro nunca chega aos cofres públicos. Essa verba que deixou de ser arrecadada poderia ser usada para, por exemplo, reforçar programas de combate ao desmatamento.

Parlamentares e ambientalistas acusam o Executivo de “passar a boiada“, como sugeriu Ricardo Salles, em 2020, durante reunião ministerial, quando o então ministro do Meio Ambiente afirmou que o governo federal deveria aproveitar a pandemia de covid-19 para mudar o regramento do setor ambiental.

A lista de órgãos que perderam orçamento, tiveram sua atuação reduzida ou ainda registraram denúncias internas de perseguição política entre seus funcionários, nos últimos quatro anos, é longa.

No ano passado, o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, chegou a dizer em ofício que o órgão estava sem recursos para financiar operações básicas e até para pagar a conta de telefone.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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