Presidente Lula reverte homenagem de Bolsonaro a Major Curió: “Não é herói”.

Curió, com identidade falsa fornecida pela Rede Globo de Televisão

Os perfis da Secretaria de Comunicação da Presidência da República postaram, na tarde desta segunda-feira (12/6), um texto com direito de resposta de familiares de vítimas de um militar que atuou durante a ditadura e foi homenageado nas mesmas páginas, mas sob a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020.

O militar que está tendo a homenagem desfeita pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, que morreu no ano passado, aos 87 anos.

Ele foi recebido por Bolsonaro em Brasília, em março de 2020, e as contas da Secom nas redes sociais divulgaram texto tratando o militar como um dos “heróis” que teriam ajudado a “livrar o país de um dos maiores flagelos da história da humanidade: o totalitarismo socialista”.

Em seguida, familiares de pessoas que foram perseguidas e mortas pela repressão estatal na ditadura durante a Guerrilha do Araguaia entraram na Justiça pedindo direito de resposta ao governo, numa batalha judicial que acaba agora, com a nova postagem.

“O governo brasileiro, na atuação contra a guerrilha do Araguaia, violou os Direitos Humanos, praticou torturas e homicídios, sendo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por tais fatos. Um dos participantes destas violações foi o Major Curió e, portanto, nunca poderá ser chamado de herói. A SECOM retifica a divulgação ilegal que fez sobre o tema, em respeito ao direito à verdade e à memória.”

O governo anterior, em 05 de maio de 2020, sob gestão de Jair Messias Bolsonaro, tentou reescrever um dos momentos mais repulsivos da história recente do país, chamando de herói nacional um torturador. Familiares das vítimas do Major Curió conseguiram na justiça direito de resposta (texto acima), que publicamos com satisfação em todas as redes da SECOM.

Além de desinformar sobre eventos históricos de amplo conhecimento a postagem enaltecia o homem que ordenou a prisão, tortura e execução de cidadãos brasileiros que defenderam a democracia durante o regime militar, em especial os que atuaram na guerrilha do Araguaia. Não é herói. Nada justifica a tortura, a mais covarde das violências.

O Brasil, na celebração de eleições democráticas, escolheu retornar ao respeito às instituições, ao cumprimento da lei e à construção de um país mais justo para todos os brasileiros. É tempo de justiça e reparação.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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