Da Revista Fórum, editado.
Nem com a cola caseira de maizena e leite ou, com o grude de farinha de trigo e água, essa afirmação de Bozoró se normaliza. A defesa do ex-presidente se enrola na tentativa explicar nova leva de documentos e diálogos encontrados pela PF no celular do ex-ajudante de ordens que comprova conspiração por um golpe de Estado.
Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgaram, na noite desta sexta-feira (17), uma nota com argumentos bizarros na tentativa de desassociar seu cliente da conspiração golpista articulada por seus auxiliares mais próximos e militares, que foi reforçada a partir da divulgação de uma nova leva de diálogos e documentos encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e braço direito do ex-mandatário.
No aparelho do militar, que está preso, a PF descobriu uma espécie de “roteiro do golpe” segundo o qual os militares poderiam ser convocados para arbitrar um conflito entre os Poderes e, assim, manter Bolsonaro no poder diante da derrota para Lula na eleição presidencial.
Além disso, há inúmeros diálogos entre auxiliares próximos da presidência e oficiais de alto escalão das Forças Armadas, como o coronel Jean Lawand Junior, então subchefe do Estado Maior do Exército, conspirando um levante golpista que teria Bolsonaro como líder.
Ao se posicionar sobre as novas revelações, a defesa de Bolsonaro se enrolou, dizendo que as conversas “comprovam” que o ex-presidente “jamais participou de qualquer conversa sobre um golpe de Estado” e ainda utilizou um argumento bizarro: o de que o celular de Mauro Cid se tornou um local para “lamentações”.
“Registramos, ainda, que o ajudante de ordens, pela função exercida, recebia todas as demandas —pedidos de agendamento, recados, etc— que deveriam chegar ao presidente da República. O celular dele, portanto, por diversas ocasiões se transformou numa simples caixa de correspondência que registrava as mais diversas lamentações”, diz o comunicado, que foi compartilhado pelo próprio Jair Bolsonaro através das redes sociais.
Melhor ficar calado enquanto Alexandre de Morais e o pleno do STF mandam preparar uma sala de comando para a prisão especial. Se apressar as coisas, a Papuda pode ser a solução.

