A trama envolve dois advogados do ex-presidente. Um deles é Fabio Wajngarten, que discutiu o risco de ordem para entrega das joias ao Tribunal de Contas da União (TCU) com Mauro Cid. Em um dado momento, ele afirma que essa operação “foi contaminada por Fred”, que seria Frederick Wassef.
Este, por sua vez, segundo a PF, foi o homem escalado para reaver o relógio de ouro e diamantes vendido nos EUA. Ele embarcou para o país dia 11 de março.
De acordo com a PF, Wajgarten conversou com Cid sobre a “contaminação” da operação no dia 15 de março de 2023. A mensagem foi enviada depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) começar a analisar o caso. Procurado, Wajgarten disse ter olhado seu telefone e não ter encontrado conversas sobre o assunto.
Wassef consegue e Cid volta para o país com o relógio dia 28 de março.
O esquema passo a passo
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O relógio foi vendido em junho de 2022 por Mauro Cesar Lorena Cid, pai de Mauro Cid, para o estabelecimento Precision Watches, na Pensilvânia, nos EUA.
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Após a venda, o dinheiro é depositado na própria conta do general Mauro Cid (pai). A informação consta em uma relatório da Polícia Federal.
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A venda do Rolex chamou a atenção da PF, levando à abertura da investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
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A investigação foi aberta pelo TCU após uma reportagem do jornal Estadão sobre joias da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.
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No dia 11 de março, Frederick Wassef viaja para Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), em um voo partindo de Campinas (SP).
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Em 15 de março, as autoridades passam a discutir a possibilidade de deflagrar uma operação para resgatar o relógio rolex de ouro que foi vendido de maneira ilegal.
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Ainda em 15 de março, Fabio Wajngarten, que fazia parte do esquema segundo a investigação, envia uma mensagem a Mauro Cid (filho). Na conversa, concluem que o relógio precisa ser recomprado porque temiam que TCU determinasse a devolução imediata do item de luxo.
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Na ocasião, o ministro Augusto Nardes, do TCU, determinou que Bolsonaro guardasse e mantivesse as peças.
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O caso foi ao plenário no tribunal e a determinação mudou. Agora as peças deveriam ser devolvidas à União.
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Com a mudança, os envolvidos no esquema colocaram em andamento uma operação para recomprar o relógio nos EUA. Era necessário que alguém de confiança reavesse o relógio. Essa pessoa, segundo investigadores, é Frederick Wassef.
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Wassef conseguiu concluir a recompra e avisou Muro Cid (filho), fato confirmado pela PF.
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Mauro Cid (filho) embarca para os EUA, recebe o relógio de Wassef e retorna ao Brasil no dia 28 de março.