A área sob alertas de desmatamento no Cerrado mais do que dobrou (149%) em setembro comparado ao mês em 2022, segundo dados do sistema Deter, do Inpe, divulgados nesta sexta-feira. A área desmatada foi de 538,6 km². No acumulado de janeiro a setembro, a alta foi de 27%.
Dez municípios concentraram quase um terço (28,74%) do total de áreas sob alertas de desmatamento no bioma de janeiro a setembro deste ano: o líder foi São Desidério (BA), seguido por Jaborandi (BA), Balsas (MA), Cocos (BA) e Barreiras (BA). Em agosto, a derrubada do Cerrado registrou o pior patamar para o mês em cinco anos. Foram derrubados 463 km², 2% a mais do que no mesmo mês do ano passado.

O Ministério do Meio Ambiente estima que pelo menos metade do desmatamento que ocorre no bioma apresente algum tipo de ilegalidade, seja pela ausência de autorização ou por não respeitar os percentuais de reserva legal estabelecidos pela legislação. Em setembro, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu as dificuldades do governo em controlar e reduzir os índices de desmatamento no Cerrado.
Dois meses após registro recorde de devastação no bioma, a integrante do primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não haverá “maquiagem” dos dados. Segundo ela, a situação, depois de duas décadas de estabilidade e até mesmo queda nos índices, “já destrambelhou de novo”.
No final de julho, a supressão da vegetação nativa atingiu o maior patamar desde o início da série histórica anual do Deter, iniciada em 2019. Um dos problemas apontados pelo ministério é que o Código Florestal possui legislação mais permissiva com o desmatamento no Cerrado para atividades agropecuárias. Na parte do bioma que não está inserida em estados da Amazônia Legal, a reserva legal obrigatória é de 35% da área. Nas demais regiões, esse limite cai para 20%.
“No Cerrado, as autorizações de desmatamento são concedidas em regra pelos Estados. Segundo dados do Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), de janeiro a setembro deste ano foram emitidas autorizações para supressão de mais de 480 mil hectares de vegetação nativa no bioma, nos Estados que compõem o chamado Matopiba: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia”, justificou o MMA em nota.
Queda na Amazônia
Em contrapartida, na Amazônia, houve queda de 56,8% no desmatamento em setembro, com área desmatada de 643,52 km². O Inpe também registrou redução da derrubada de 49,5% de janeiro a setembro ante o período no ano passado. Ainda segundo o Inpe, os incêndios florestais caíram 36% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior. De janeiro a setembro houve queda de 33,6% no bioma. De agosto de 2022 a 31 de julho de 2023, o acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia foi de 7.952 km², a menor marca anual em um período de quatro anos.
Fonte: O Globo

