Não chores, Argentina! As excrescências florescem por curto período. E contradições são bem da Argentina.

Evita Perón - Wikipedia

Desde que Evita Peron foi consumida, ainda jovem, 33 anos, por um câncer voraz, o peronismo não conseguiu recuperar-se. Tentou até com outra ballerina, também amante de Peron, parecida com ela, o que redundou num golpe de estado.

Desde 1952 a Argentina tenta se recompor do golpe da perda da mãe argentina, criada na miséria e, em consequência disso, mui atenta com seus descamisados.

As contradições do peronismo desde então são terreno fértil para a assunção de excrescências como Milei.

A província de Córdoba, a segunda maior da Argentina depois de Buenos Aires, sempre foi governada por peronistas, mas falhou quando apoiou Macri e agora deu 75% dos votos a Javier Milei.

Conforme afirma Giovana Guedes, no Intercept, a ideologia que remonta aos anos 1940, o peronismo é tido como um sistema político em si e se aproxima de um estado de bem-estar social. Prioriza a soberania política, a independência econômica, o trabalhismo e a justiça social. Seus maiores representantes no século 21, Néstor e Cristina Kirchner, governaram a Argentina entre 2003 e 2015, após a reação em massa contra as condições em que os governos liberais haviam deixado o país.

Diz ainda a jornalista:

O kirchnerismo cria uma polarização na Argentina há anos. Os kirchneristas acreditam na interferência do estado para garantir uma distribuição equitativa, enquanto outro setor vê como um atraso o número de impostos e regulações. De qualquer forma, o kirchnerismo foi escanteado nestas eleições.

O peronismo se consolidou, na prática, como a única via progressista viável na Argentina e voltou aos holofotes. Mas não podemos esquecer da roupagem à direita que o partido criado por Juan Domingo Perón já vestiu.

Já Javier Milei, antiperonista e antikirchnerista, vai além ao propor a extinção do peso argentino e a adoção do dólar americano. O candidato  considera Domingo Cavallo, que liderou a economia sob Menem e alguns meses sob Fernando De la Rúa, um dos melhores ministros que o país já teve, descreve Giovana.

Contradições liberais

A mescla historicamente progressista do peronismo com a direita se mostra, também, no pensamento contraditório dos eleitores atuais. Segundo uma pesquisa sobre os eleitores de Javier Milei, 54,8% são contra a implementação de aulas sobre religião nas escolas; 60% acreditam que o estado deve garantir saúde e educação públicas; e 79,5% concordam que é dever do estado garantir aposentadorias dignas. Mas três quartos desses mesmos eleitores consideram que o estado deve ter mínima presença.

ImagemO que poderia dar errado com esta figura? Afinal, mais artista que ele, foi quem encenou uma cena de esfaqueamento.

A perda do trem da história.

Há um consenso entre especialistas de que o peronismo está falhando em atualizar-se aos desafios atuais da sociedade, como as novas formas de trabalho. “O peronismo chega tentando explicar uma sociedade que não existe mais”, argumentou a cientista política Leyla Bechara.

E é nessa brecha que Milei chega aos novos eleitores, apresentando um manual muito simples que o posiciona na contramão das duas últimas gestões do país, do neoliberal Mauricio Macri e do atual presidente Alberto Fernández, um peronista. “Foram duas comprovações seguidas de que a dirigência política não estava compreendendo a sociedade”, explicou a cientista política.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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