Em marrom claro, a região contestada pela Venezuela. Em marrom escuro, o que sobraria para a Guiana.
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu uma entrevista a jornalistas na saída do local onde foi realizada a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Ao ser questionado sobre a disputa na região conhecida como Essequibo, na divisa entre a Venezuela e a República da Guiana, uma área conhecida por suas riquezas em ouro, diamantes e petróleo, Lula argumentou:
“Veja, eu conversei por telefone com o presidente [ Irfaan Ali] da Guiana já duas vezes”, iniciou em sua resposta, referindo-se ao dia 9 de novembro, quando o presidente brasileiro e da Guiana conversaram por videoconferência e, segundo um diplomata brasileiro, o presidente guianense expressou suas preocupações sobre um referendo a Lula.
Neste domingo (3/12), milhões de venezuelanos estão indo às urnas do país para se manifestar sobre a disputa em um referendo.
“O Celso [Amorim] já foi à Venezuela conversar com o Maduro”, prosseguiu Lula, ao se lembrar que, duas semanas depois do contato com o Presidente da Guiana, no dia 22 de novembro, o chefe do Executivo enviou a Caracas, para tratar do assunto, o Assessor-Chefe da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil.
“Teve um referendo. Acho que é hoje o referendo. Provavelmente que o referendo vai dar o que o maduro quer, porque é um chamamento ao povo pra aumentar aquilo que ele tem que seja o território dele“, afirmou o estadista.
Segundo analistas, o resultado da disputa deverá ser favorável à criação do novo Estado venezuelano em terras hoje sob administração da Guiana, o que representa uma incorporação de 70% das terras.
Lula prosseguiu dizendo que “ele não acata um acordo que o Brasil já acatou, porque não só a decisão de 1887, como a decisão de 1965, em que houve um acordo, um tratado que o Brasil aceitou, sabe e eles agora tão dizendo que não aceita. Então vamos ver o que que vai dar“.
A Venezuela alega que o território lhe foi tirado em 1899 na sentença arbitral de Paris, que qualificou como sem efeito denúncia de irregularidades em procedimento de 1962 perante a ONU.
Por sua vez, a Guiana rejeita este referendo e solicitou ao Tribunal Internacional de Justiça que emita uma ordem de emergência para interromper a consulta popular, uma vez que, defende, o território lhe pertence.
Dias depois das conversas de Lula com a Guiana, integrantes dos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa passaram a analisar, conjuntamente, a crise na região.
Foi a partir dessa análise que, na quarta-feira (29/11), o Ministério da Defesa divulgou a nota em que anuncia a intensificação das ações de defesa na fronteira.
A ‘Folha de S. Paulo‘ afirmou que houve o deslocamento de 200 militares e veículos blindados sobre rodas para um pelotão de fronteira localizado na cidade de Pacaraima, em Roraima, no extremo norte do país. Também teria havido o transporte de munição.
Sobre a tensão iniciada, Lula diz: “Eu acho que só tem uma coisa que o mundo não tá precisando, só tem uma coisa que a América do Sul não tá precisando, agora é de confusão“.
“Se tem uma coisa que nós precisamos pra crescer e pra melhorar a vida do nosso povo, é a gente baixar o facho, trabalhar com muita disposição, de melhorar a vida do povo e não ficar pensando em briga. Não ficar inventando história. Então eu espero que o bom senso prevaleça”.
Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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