Da CNN e BBC
A maioria dos imigrantes, como Reyes, espera uma oportunidade para viajar para outras partes dos Estados Unidos, para encontrar suas famílias depois de uma viagem longa, difícil e extremamente perigosa até a fronteira.
“Quero ir para Chicago… não tenho ideia de como vou chegar lá”, afirma Reyes. “Estou tentando conseguir passagens de ônibus, mas não sei como vou fazer.”
Ele acrescenta que as noites frias e a incerteza são dificuldades pequenas em comparação com o que ele enfrentou nos últimos meses – incluindo uma travessia pela selva na qual diversos companheiros morreram, além do abuso e tentativas de extorsão nas mãos de policiais corruptos.
“Estou feliz por estar aqui. O tratamento aqui tem sido excelente”, ele conta. “Só tem feito muito, muito frio.”
O que aconteceu com o Título 42?
Enquanto El Paso enfrenta uma crise humanitária cada vez maior, o provável fim da política de imigração da era Trump deixou as autoridades e as ONGs preocupadas por talvez não conseguirem lidar com o aumento do fluxo de imigrantes e pessoas em busca de asilo.
Conhecida como Título 42, a política concede ao governo o poder de expulsar automaticamente imigrantes sem documentos. Ela impediu milhares de pessoas de cruzar a fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Essa política deveria ter sido extinta em 21 de dezembro, mas a Suprema Corte americana a prorrogou temporariamente.
Na segunda-feira (19), o juiz chefe da Suprema Corte, John Roberts, proibiu temporariamente o fim do Título 42, aguardando a decisão sobre um recurso emergencial apresentado por Estados governados por republicanos. Eles pediram a manutenção da política em vigor.
Na terça (20), o governo Biden pediu à Suprema Corte que ignorasse o pedido dos republicanos para manter vigente o Título 42, defendendo que não há mais justificativa para sua manutenção. Mas também pediu à Corte que postergasse o fim da política pelo menos até 27 de dezembro, para poder preparar-se para o fluxo de entrada de imigrantes.
Se o governo conseguir ser atendido, a política terminará em 27 de dezembro. Mas a intervenção da Suprema Corte trouxe pouco significado para as ruas de El Paso, onde os abrigos e serviços humanitários já estão sobrecarregados.
CRÉDITO,ALLISON DINNER/AFP VIA GETTY IMAGES. As temperaturas caem abaixo de zero grau à noite
As autoridades municipais afirmam que estão fazendo o melhor que podem para ajudar diariamente a abrigar e transportar imigrantes liberados pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês), mas os números crescentes vêm esgotando os recursos.
Somente na semana de 12 a 18 de dezembro, mais de 10,3 mil imigrantes entraram na cidade, contra 8 mil na semana anterior.
As autoridades locais e federais estimam que, se o Título 42 perdesse a vigência, o número diário de detenções de imigrantes em El Paso subiria de 1,5 mil para 4 a 6 mil – e a cidade seria incapaz de atendê-los com os recursos existentes.
“Não é possível administrar. Os abrigos e os esforços da comunidade estão sobrecarregados”, segundo Fernando García, diretor-executivo da organização Border Network for Human Rights. “Temos um problema imediato.”
“Não podemos esperar para ver se o Título 42 perderá a vigência ou não”, acrescenta ele. “Aqui e agora, temos pessoas em El Paso, nas ruas. Crianças, mulheres, sem roupas de frio, sem comida, sem água e sem dinheiro para serem transportadas até seus parentes.”
Estado de emergência
No domingo (18), o prefeito de El Paso, Oscar Leeser (democrata), decretou estado de emergência por sete dias. Ele afirma que a decisão oferece às autoridades locais os recursos para lidar com o fluxo de entrada de imigrantes dormindo nas ruas da cidade.
“Queremos garantir que as pessoas sejam tratadas com dignidade”, disse o prefeito aos repórteres. “Queremos fazer com que todos fiquem em segurança.”
Leeser alertou que os abrigos da cidade já estavam com capacidade máxima ocupada e estimou que havia outros 20 mil migrantes na fronteira, preparados para cruzar para os Estados Unidos.
CRÉDITO,ALLISON DINNER/AFP VIA GETTY IMAGES As autoridades locais e organizações humanitárias afirmam que estão enfrentando dificuldades para lidar com a situação.



