Nordeste arrecadou mais de 344 bilhões em impostos em 2023.

Capa da matéria "Nordeste arrecadou mais de 344 bilhões em impostos em 2023" publicada originalmente na Agência Tatu. Fundo azul escuro, com um mapa do Nordeste em laranja e os números "344" destacados em cima de placas lado-a-lado.

Arrecadação nordestina representa 10,35% da arrecadação total do país

Com o fim de 2023, é possível saber os valores da arrecadação de impostos deste ano que passou. Os estados do Nordeste arrecadaram mais de 344 bilhões de impostos, representando 10,35% do total arrecadado em todo o Brasil, que ultrapassou os R$3 trilhões de reais.

Agência Tatu coletou os dados do painel Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que mede o valor pago pelos brasileiros em tributos às esferas federal, estadual e municipal.

Total de impostos arrecadados por estado

Bahia, Pernambuco e Ceará foram os estados nordestinos que mais arrecadaram, enquanto Piauí, Alagoas e Sergipe tiveram menor valor bruto.

Luciana Caetano, economista e professora da Universidade Federal de Alagoas, falou sobre a participação do Nordeste na arrecadação de impostos.

“Tratando da produção industrial, a participação da região Nordeste fica em torno de 10%. Essa condição foi definida, ao longo da história, por força política e má gestão das unidades federativas das regiões periféricas”, explica a economista.

Para alguns estados nordestinos, como Alagoas, Luciana explica que a economia é pouco diversificada, cuja produção está concentrada em serviços e agropecuária, cujos produtos são de baixo valor agregado. A especialista ainda completa sua fala ressaltando que a taxa de informalidade é elevada, assim como a renúncia fiscal para as grandes corporações.

Distribuição dos tributos no Brasil

O Impostômetro considera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária. Caetano ressalta que os impostos são imprescindíveis às políticas públicas, especialmente, às direcionadas à redução das desigualdades e fomento ao desenvolvimento do país.

No âmbito federal, exemplos incluem IOF, PIS/PASEP e IR; no estadual, ICMS e IPVA; e no municipal, IPTU, ISS, ITBI, entre outros.
“Quanto menor a capacidade de arrecadação de um ente federativo, menor sua capacidade de investimentos no desenvolvimento territorial e maior será a dependência financeira”, disserta Luciana sobre os impactos sofridos pelos estados que dependem do Governo Federal para saneamento básico e outras obras de infraestrutura, por exemplo.

“Para piorar, costumam dar incentivos fiscais maiores para atrair investimentos privados, o que compromete ainda mais a arrecadação”, complementa a professora.

Comparação regional

A região Sudeste lidera a arrecadação, contribuindo com mais da metade (59,87%) do total de impostos do país, ultrapassando a marca de R$1,7 trilhões. Em seguida, a região Sul apresenta mais de R$473 bilhões arrecadados, representando 15,17% do total.

Luciana Caetano explica que isso acontece porque a estrutura produtiva do país está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. “Em 2021, 70% do PIB estavam concentrados nas duas regiões. Nordeste, que responde por 27% da representação demográfica, era responsável por apenas 13,8% e Norte só 6,3%, no mesmo ano”, explicou Luciana.

O Nordeste se posiciona como antepenúltimo entre as demais regiões, com mais de R$344 bilhões arrecadados em 2023, representando 10,35% da arrecadação nacional. O Centro-Oeste contribuiu com pouco mais de R$329 bilhões, representando 10,88% do total nacional. Por fim, a região Norte teve arrecadação de apenas R$117 bilhões, correspondendo a 3,73% do total de impostos recuperados pelo governo em 2023.

Para Luciana, uma mudança no cenário é improvável. “Teremos mais do mesmo. Norte e Nordeste seguem subordinadas ao centro dinâmico da economia nacional com recondução de parlamentares mais preocupados em assegurar a seus descendentes um capital político relevante que apresentar projeto de desenvolvimento territorial. Parte por incompetência, parte por negligência com o eleitorado mesmo”, finaliza.

Por Gabriel Mileno e Graziela França, da Agência Tatu.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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