A inclusão das línguas originárias na Academia, através da posse de Krenak.

Nos séculos XVI e XVII, as línguas indígenas eram chamadas pelos portugueses de língua brasílica por ser o idioma mais usado no Brasil. A expressão “língua tupi” somente se generalizou a partir do século XIX.

Hoje, de acordo com o Censo, que leva em consideração pessoas com mais de 5 anos de idade que usam o idioma em seu próprio domicílio, as línguas mais usadas no Brasil são o tikuna (com 34 mil falantes), o guarani kaiowá (com 26,5 mil), o kaingang (22 mil), o xavante (13,3 mil) e o yanomami (12,7 mil).

Troncos linguísticos indígenas

Parte dos povos indígenas que viviam na costa, no período da colonização, falavam línguas que pertenciam ao tronco tupi. Dentro desse tronco, o tupinambá (que pertence à família tupi-guarani) acabou sendo escolhido pelos colonizadores como a base de uma das línguas gerais que existiram no Brasil e que era usada para se comunicar com os indígenas. O objetivo, no fim das contas, era apagar a grande diversidade de línguas faladas por tantos povos distintos.

Português como língua oficial

Depois de um tempo, essa língua geral foi deixada de lado e o português passa a ser usado como língua oficial. Mas, nesse ponto, a influência já era grande demais para ser apagada. Essas marcas são observadas no léxico e nos nomes, como nas toponímias, que são os nomes de lugares geográficos.

Fitoponímias de origem indígena

No Espaço do Conhecimento UFMG existe uma parte da exposição Demasiado Humano que trata das Fitotoponímias de Minas Gerais, que são os nomes de lugares do estado originários de nomes de plantas. Entre esses nomes é possível encontrar uma amostra interessante de palavras de origem indígena que dão nomes a lugares, como por exemplo ipê, que significa casca de árvore; buriti, que significa árvore alta, ou até mesmo capão, que se refere a uma porção de mata.

Das milhares de expressões hoje incorporadas pelo Português, estão algumas emblemáticas, como:

Paçoca – do tupi-guarani paçoca = coisa pilada. Alimento que se prepara no pilão.

Jacaré – do tupi-guarani jaeça-caré = o que olha de banda.

Sabiá – do tupi-guarani s-apia = o pintado.

Caatinga – do tupi-guarani caá-t-enga = o mato ralo.

Piranha –  do tupi-guarani pirá-anhã = peixe diabo.

Itaúna –  do tupi-guarani pedra preta (ita = pedra; una = preta, negra).

Maracanã – do tupi-guarani paracau-aná = pagagaios juntos.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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